sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Muito sono
Hoje, o mesmo despertador tocou, uma vez mais, às 7h da manhã. Uma vez mais fui a umas gravações, uma vez mais segui para o teatro, e uma vez mais são 3h da manhã.
Há 15 minutos fiz uma boa acção.
Vou agora buscar uma vassoura e uma pá, que os vidrinhos e os ponteiros ficaram espalhados pelo quarto.
terça-feira, 13 de setembro de 2005
Estrela da Tarde
Mais do que um poema a rasgar os limites do bonito, é muito, muito mais que isso. Faz parte do lote de músicas que me faz dar mais uma volta ao quarteirão antes de estacionar o carro, só para chegar ao fim com ela.
E reza assim:
Estrela da Tarde
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.
domingo, 11 de setembro de 2005
A todos os condutores

Pensei, pensei e cheguei a uma conclusão, que a meu ver, parece justa.
Todos os carros, que circulem a menos de 100 km/h na faixa da esquerda de uma auto-estrada, deveriam, em jeito de automático, explodir. Perder-se-iam algumas vidas, é certo, mas é melhor assim.
A estupidez de alguém, que com duas faixas vazias à sua direita, insiste em lamber vagarosamente a da esquerda, é meritória de um belo dispositivo no banco de trás que detone automáticamente. Ninguem sofreria, nem o próprio condutor.
Minto, sofreriam um bocadinho. Uma bomba ainda faz dói dói.
Mas tem de ser assim, não me levem a mal, sou um mero mensageiro.
A ideia é simples e querida de dar beijinhos. Cada condutor, pela manhã, seria munido de um palestiniano, que estaria sentadinho no banco de trás, com uma mochila toda janota.
P.s.- Este senhor palestiniano é: bom moço, lavadinho, com uma camisa apertadinha até cima, para resguardar o peitinho de correntes de ar. Mas danado para a brincadeira.
Depois o processo seria limpinho e eficaz. O condutor, como sempre, metia uma abaixo e mudava para a faixa da esquerda e mantinha-se nela a 90 kilometros/mortíferos.
Em seguida escutaria um ligeiro "click" dentro do carro, olharia de imediato para o conta-quilómetros, e morreria a meio de um "oh cabrão guarda a mochila, ai cum car...! (PUUUUMMMMM)
Deus os guarde em descanso.
O Sr. palestiniano teria nas suas doces mãos uma camara de filmar, daquelas resistentes, assim tipo... resistentes, cuja cassete seria posteriormente aproveitada, para acompanhar aulas de condução e mostrar aos alunos o senhor Antunes a estoirar.
E também o Sr. Palestiniano a dizer adeus para a camera.
Outra solução, também baratucha e práctica, seria a de qualquer condutor que fosse obrigado a ultrapassar pela direita, ser subsidiado de uma caçadeira daquelas de matar patos, e alguns cartuchos. Ultrapassaria pela direita, mantinha a velocidade de cruzeiro do condutor à esquerda, e tinha direito a dois tiros. Um nos joelhos para desiquilibrar a velocidade e posteriormente num dos braços, só porque é giro.
O leitor deve estar a pensar "epá, que exagero! morrer? é preciso tanto!?"
Realmente não. Mas vai ter que ser.
sexta-feira, 9 de setembro de 2005
Pequeno conto infantil
E lá encontrou uma carta que dizia "EDP".
Abriu-a, olhou para a parcela que dizia "valor a pagar", e disse assim:
"Foda-se!!"
Fim.
quinta-feira, 8 de setembro de 2005
Curiosidade
Hoje em dia, ando com muito mais cuidado.
quarta-feira, 7 de setembro de 2005
Despertares
Riem-se. Dizem que há namorados melhores. Com certezas, que estas mulheres sabem. A facilidade com que se agarra numa revista e se fala, com ar diplomático, das vidas de toda a gente, repugna-me. Há pessoas cuja "profissão" é mandar postas de pescada sobre tudo o que aparece nas revistas. Eu chamo-lhe "desemprego".
Hoje em dia, vende-se o dizer mal por dizer. Dá audiências. O público gosta.
Enxovalhar alguém, em praça pública, sempre vendeu, sempre venderá. Mas quando se torna banal e forçado (sim, porque tem de haver forçosamente sobre o que falar), é só uma máquina para arquitectar audíências. E quando assim é, caro leitor, é só falta de bom gosto.
Irrita-nos a todos: sair do prédio e ter vizinhas (daquelas vestidas de preto, reformadas), a falarem umas com as outras sobre os barulhos que ouviram em nossa casa na noite passada, e a até que horas as visitas ficaram lá em casa, e se tinham piercings, se não tinham, e o raio que as parta ao meio. Isso, irrita-nos muito. Mas se essas velhas, estiverem num programa da manhã, e despedaçarem a vida do próximo... isso, já nos aconchega mais a alma. Já dá vontade de ir buscar umas bolachinhas de canela e ver alguém ser abalroado na tv.
Enfim, há programas, que mais valia Nosso Senhor levar.
segunda-feira, 5 de setembro de 2005
Orçamentos
Eu-Olha que se me conhecerem por alguma razão, sobem os preços porque julgam que ganho fortunas.
Pai- Não te preocupes filho, é gente séria.
Eu- Então fazemos assim, hoje vou eu com o empreiteiro fazer orçamento, amanhã vais tu com outro, para ficarmos com uma idéia.
Pai- Tá bom. Queres ir almoçar?
Eu- Vamos.
De facto o homem era uma jóia de pessoa, muito simpático, até tinha passado a camisa a ferro, e tudo. Perguntei-lhe se teria a casa pronta em 2 meses. Que sim, que até antes disso. "Nem vai ter tempo de dizer uma piada, pá!" Ri-me. Por simpatia, só. Insistiu:"Sabe que eu tambem me farto de fazer rir os meus amigos, é cá com cada uma que eu invento!" Ri-me. Por vergonha alheia. Há essa necessidade de as pessoas acharem que têm de ser engraçadas perto de humoristas. Tornam-se camaleões da profissão do próximo. Quando estou com muçulmanos não me faço rebentar. Este senhor estoirava-se em 2 tempos. Mas antes dizia "sabe que eu tambem me farto de fazer explodir vizinhos meus, é cada esguicho de sangue!"
Enquanto via a casa não parava de dizer "isso é simples, é baratinho. trabalho com homens que sabem o que fazem, gente dura."
Despedi-me do senhor.
Enquanto me apertava a mão, disse: "Tem graça, julgava que era mais alto".
Respondi: "Tem graça, eu não".
Riu-se muito. "Só você pá!".
Fechei a porta, respirei fundo, e liguei ao meu pai.
Moral da história:
Orçamento com o pai- 11.000 Euros
Orçamento com o filho- 35.000 Euros
sábado, 3 de setembro de 2005
SOS Lisboa
A cidade começa a ficar muito pequena para tanta cidade.
sexta-feira, 2 de setembro de 2005
Descansem os olhos
quinta-feira, 1 de setembro de 2005
Orgãos, precisam-se
Sempre ouvi dizer que suminho de laranja fazia bem. Os meus intestinos não. Há qualquer coisa de muito estúpido em querer Leite Creme quentinho e sumo de laranja fresquinho depois, bem sei. Mas ter orgãos do meu próprio corpo a decomporem-se por causa de um mal entendido, é duro. Sempre achei que os intestinos e o cérebro, tivessem uma espécie de Walkie Talkie para saberem um do outro. É no fundo, para isso que mantenho vivos todos os meus orgãos, para me avisarem quando acharem que os meus intestinos estão a instalar um simulador de Nagazaki, para PlayStation2. Fiquei triste, confesso. Julguei-os mais unidos entre eles. Mais alerta. Nem um fígado se deu ao trabalho de me dar um toquezinho. Nem um rim. Nada. Ficaram todos imóveis, a ver-me ingerir à bruta contentores de explosivos.
Deixei de confiar neles. Tou farto deles.
Havia desenhos animados em que os orgãos eram todos amiguinhos, lembram-se? Pois bem, são uns cabrões. E é bom que as crianças percebam isso desde novinhas, que a qualquer momento, quando pensarem que o xixi está a correr bem, um rim entra em combustão instantanea.
Agora como torradas e bebo chá.
E gemo.
Life Aquatic

Acabo de ver The Life Aquatic With Steve Zissou (Um peixe fora de água), e constato mais uma vez: O Bill Murray, é, de facto... grandioso.
quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Flash News
Em Outubro deixo-vos aqui novidades sobre o que ando a fazer ao certo.
Regresso pois, ao teatro.
terça-feira, 30 de agosto de 2005
Deadline: 4h Am

Há algo de extraordinariamente hipnótico no canal Odisseia às 4h da manhã. Tudo parece bonito a essa hora, quando já estamos enroscados na cama, de baba em riste. Um leopardo, esventrar um lince que corre desesperadamente numa qualquer paisagem moçambicana, é...lindo! Há uma certa hora da madrugada em que desligamos a nossa secção do controlo de qualidade. A minha é às 4h.
Bocados de plástico que nos dão esticões nos músculos, arrepanham os pelinhos todos, e nos dão ar de estarmos no ponto alto de um ataque de epilepsia, é... fofinho. O Chuck Norris é o maior, os macacos narigudos do Bornéu são uma jóia de macacos, e a Dulce Pontes têm uma cara. Tudo na nossa cabeça encaixa ás 1000 e muitas maravilhas.
Durante todo o dia confesso que estou-me nas tintas para a tribo Uélélé, oriunda do Quénia. Mas às 4h da manhã, eu era menino para me meter num avião (ou num Zepelin se fosse preciso) , ir ter com o chefe da tribo e dizer "Mas você tá parvo? Já viu que tem 50 filhos a jantar serradura com arroz, e anda-me com os tomatinhos ao relento? E não há um "Raid" para afastar os besouros desta palhota? Vá, isso arrumadinho dentro dessa cueca de bambú."
Mais uma vez digo, se fosse às 4 da tarde, o Sr Chefe da Tribo até podia dar com os tomatinhos no queixo dos filhos, eu não mexia uma palha. A partir das 4h é que abro o meu escritório de Embaixador da Boa Vontade. Sou a Catarina Furtado dos pobrezinhos.
Hoje, são 4h17, e parto para o Zaire. Alguém têm de dizer àquela mulher que um soutien lhe poupa hematomas nos joelhos.
sábado, 27 de agosto de 2005
Fumar mata

De facto mata. Mas um camião em sentido contrário na IC19 também, e não leva nenhum autocolante igual na grelha da frente. Percebeu-se agora, depois dos quilómetros e quilómetros de auto-estrada que os fumadores foram calcando nos pulmões, que, epá... mata. Não que antes de anunciarem nos maços não matasse. Mas achámos que era mais giro só revelar a surpresa agora. Antes morriam um bocado à toa, agora morrem com uma explicação da tabaqueira. parece-me querido. Mas mata, e é bom que assim seja. Até me deixa de certa forma aliviado. Somos muitos, a verdade é essa. E cada um de nós existe muito. Logo, nada faz mais sentido. Nem todos fumam, o que me deixa descansado sobre o paradeiro do mundo. Não há nada mais aborrecido do que morrer de perfeita saúde, durante uma sessão de cardio-fitness. É até, se me permitem, motivo de chacota. Se apanhasse alguém a morrer dessa forma, faria questão de durante o funeral, me fazer munir de um microfone e um amplificador de médio tamanho, e insultar a senhora Augusta que morreu na passadeira do ginásio. É que é parva, a mulher. São pessoas que não têm o minímo sentido de morte. Pessoas estúpidas irritam-me, mas pessoas que nem sequer sabem morrer, dão-me vontade de estrear os sapatos na boca delas, com jeitinho. Morrer num jogging de sábado de manhã está ainda num patamar ridículo, e também constrangedor. Ninguém quer ser encontrado, esticado no circuito de manutenção do Estádio Nacional, com um fato de treino novo, ainda com os vincos de estar dobrado há meses, com um phones nos ouvidos (a ouvir provavelmente um qualquer cantor, também ele saudável), e com um coração em coma profundo. Nem a andar de canoa, nem a fazer amor, nem na secção de legumes de um hipermercado. Todos estes panoramas disponíveis para uma morte, são, em ultima análise, absurdos. A morrer, que seja coberto de embalagens de fast-food, com um cigarro meio apagado no canto da boca, com duas linhas de cocaína prontas na mesa de vidro, e a ver os Mini Malucos do Riso. Assim, morre-se com dignidade, na plena certeza que a primeira pessoa que o encontrar dirá: "Eu bem lhe disse que a televisão não estava para brincadeiras".
P.s.- Este SG Ventil estava óptimo.
Nuvens arquitectadas

Gosto de nuvens arquitectadas.
Fim de tarde em Cabo Verde. Ficará melhor numa foto o lado turistíco? Ou o país como ele é? O turismo tem essa mais valia de apagar o que suja um país. Aconselho então, a todos os habitantes de um país, serem turistas do mesmo. Só têm a ganhar, vão ver. Em baixo, o mundo do turista, em cima, o mundo real.
Um copy paste
Dói"s"-me
Dava tudo para saber estancar o palmo e meio de rasgo que me fazes na carne, não para o fazer, mas só para saber como actuar em caso de extrema urgência, que de urgência já eu vivo.
Dói-me muito, mas não sei onde. Se agora mesmo entrasse nas portas cansadas de um qualquer hospital, ficaria dia e meio para explicar onde e o que me dói. E ainda assim, dia e meio depois, estaria exactamente no mesmo ponto da conversa. Estaria de frente para uma bata branca, curvado de dores, de soro a violar-me o braço e o sangue, e de coração semi-risonho, como uma criança que faz das suas e olha para o lado para que ninguém a veja. "Juro que me dói senhor doutor, juro-lhe." De que vale explicar uma dor a quem nunca a sentiu?
A dor que me causas passa os limites de cinco países juntos.
Apetece-me beber-te a conta-gotas.
Dói-me. Dói-me muito. E quando me disseres onde, vai doer-me muito mais.
Mente sem abrigo
Roubei esta imagem na Rua São Sebastião da Pedreira porque... tinha a máquina fotográfica comigo. A verdade é essa. A personagem principal era um qualquer sem abrigo (a falta de abrigo rouba-lhes ainda o nome), o "jornal" era o 24 Horas, e a mesa de operações um contentor do lixo. Nos tempos que correm, poder-me-iam dizer que este mesmo contentor era uma redacção de um qualquer jornal e eu acreditaria, sem demoras. Este mesmo sem abrigo, analisando assim em close up, não deixa de ser um qualquer leitor. Quem sabe o mesmo que lê estas linhas. Este sem abrigo, que tão gentilmente se debruça sobre os restos mortais de tanta e tanta comida, pode ser, num close up ainda mais apertado, você. O que o/nos separa dele não poderá ser assim tanto. Por dentro, caro leitor que me acompanha, sou muitas vezes o homem que se deixa fotografar nesta imagem. Por dentro, numa qualquer escada que conduz às àguas furtadas da cabeça, sou assim. Preto e branco, sujo, cansado, mas de mente ocupada, e nunca, mas nunca a ler o 24 horas. O preto e branco não é um puro acaso da foto. A foto, caro leitor, está na realidade a cores. A preto e branco, vê-a quem fechou as cortinas da mente. A preto e branco, vê-a quem já não se vê a cores.