sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Sou Português

O meu bilhete de identidade, e o facto de ir agora fazer as compras de natal, não deixam dúvidas: sou, de facto, Português.
Passei ainda há pouco pelo Oeiras Parque e senti-me no Festival Sudoeste, tal era a multidão. É pavoroso. Mete medo. E mete ainda mais saber que sou um deles. Também eu só agora vou escolher o que podia ter escolhido ha 364 dias atrás. Filas e filas de trânsito, com promessas de "para o ano não volto a cair nesta". E o "para o ano",esse, nunca mais chega.
Vou então fazer as compras, que só hoje me convenci. Consegui sobreviver à tentação de deixar para dia 24, vou hoje, dia 23. Como os adultos. Também eu já sou crescido.
Agora saio, rumo às tantas outras pessoas que se arrastam, ou são arrastadas, pelas montras que mostram ansiedades.
E para o ano, não volto a cair nesta.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Copy Paste

"Gosto tudo de ti", escreveu António Lobo Antunes, e repito eu.

...

Ai o circo, o circo...

domingo, 11 de dezembro de 2005

"Antes Eles Que Nós", o fim?

Desde já, o meu pedido de desculpas pela falta de posts novos. A vontade é muita, o tempo, muito pouco. Ainda assim, queria dizer-vos que ontem terminámos a temporada da peça "Antes Eles Que Nós", no São Luiz. Correu muito bem, o público encarregou-se de fazer correr ainda melhor. Muito obrigado, respeito-vos do fundo do meu coração. Por isso mesmo,e num momento de pura embriaguez, o São Luiz convidou-nos a ficar também Janeiro.
E nós, tudo bem.
Assim sendo, quem ainda não teve oportunidade de ver, terá agora. Os bilhetes julgo já estarem disponíveis nas bilheteiras do próprio teatro. Despeço-me dos 6 graus que hoje me aquecem o corpo, e me fazem tilintar os pés.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Porque hoje me senti especialmente feliz...

Tropeço-me de cansaço. Muito mesmo. Ainda assim, vou abrindo os olhos para ter noção do que me rodeia.
Conheci Carlos do Carmo. Para muitos isto não passará de uma frase. Para mim, são várias e várias horas de ouvidos deliciados e coração a ritmo de contrabaixo. Ter a oportunidade de conhecer pessoas que admiramos e ainda receber elogios, deixou-me pequenino, ainda mais do que o normal.
Cantou a dois metros curtissímos de mim, e ainda assim, eu estava em casa, como hoje, como sempre, a ouvi-lo.
O fado pode ser transportado por várias vozes, disso, não há sequer dúvidas. Mas só poucas, o conseguem transportar pelo filamento que nos deslumbra um baque no centro do peito.
Guardarei o dia de hoje num livro de memórias talhado a orgulho.
"...essa voz que canta a palavra e nos vem dizendo a musica...", disse José Saramago, e digo eu.
Porque hoje me senti especialmente feliz, quis partilhar com vocês.
E agora oiço Carlos do Carmo, e sorrio.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Cozinhas

Aproveito os entretantos do tempo, para vos dizer que... quando encomendarem cozinhas no Ikea... não as tentem montar sozinhos. A sério, há lá gente especializada, que diz que até fizeram cursos na Suécia. É malta que faz daquilo a vida. Confiem neles.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Muito obrigado.

Num momento que antecede a minha bela cama, que tanto me olha, decidi passar pelo computador, para agradecer a todas as pessoas que têm passado pelo Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, e o têm esgotado. A todos vocês, um muito e muito obrigado.
Seria cliché dizer "sem vocês, nada disto seria possível".
Por isso mesmo, sem vocês, nada disto seria possível.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Não custa nada

Lembrem-se sempre de uma coisa. Sempre. É simples, nada de complicado. É até bastante simples. E é o seguinte... Acompanhem-me:
Está frio. Chove. Está portanto frio e chove. A vontade de sair é muito abaixo da média Europeia. Há até comida de sobra no frigorífico, dispensa, e outros sítios onde guardem comida. O Bruno (este que vos escreve), não tinha vontade de cozinhar. Estamos portanto num panorama de frio, chuva, comida a barrotes, mas falta de vontade de a tornar comestível.
Ideia: Encomendar comida japonesa.
Portanto: frio, chuva, comida a barrotes mas falta de vontade de a cozinhar, e comida japonesa ao domicílio. Fiz então a encomenda (e uma bela encomenda, diga-se entre parêntesis).
"Vai demorar 40 minutos", diz o senhor brasileiro. Brasileiro...Japonês.
Tudo faz sentido.
Deitei-me no sofá, e enquanto deixava a televisão ir contra os meus olhos, sonhava na melhor maneira de comer um belo Uramaki, Sashimi, entre outros.
Uma coisa meio doentia, mas que se usa muito no estrangeiro.
Passados 30 minutos, estavam os meus pés quentinhos, e a chuva a dizer "oh bruno, anda lá cá fora que eu digo-te" e...
enfim...Lembrem-se sempre de uma coisa. Sempre. É simples, nada de complicado. É até bastante simples. E é o seguinte... quando encomendarem comida para entregar ao domicílio, lembrem-se que têm de ter dinheiro em casa. A sério, lembrem-se.
Não custa nada.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Coçar Onde É Preciso


Acabei de sair da peça "Coçar Onde É Preciso", do José Pedro Gomes.
A coragem de estar cerca de uma hora e meia, sozinho, frente a frente com um público disposto a tudo, não é, nem nunca será coisa fácil. Estar cerca de uma hora e meia e fazer disso um belo espectáculo, ainda mais. Aconselho a todos os que tiverem disponibilidade e vontade de ver coisas boas, que cada vez são mais raras. Porque o que é bom deve ser falado, "Coçar Onde É Preciso", até 18-12-2005, Quarta a domingo às 21h30, na Casa do Artista.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Finalmente...

Finalmente, assaltaram-me o carro. A ideia já era antiga, concretizou-se sexta-feira, quando tudo acontece. Era comum deixar casacos e valores pessoais (alguns deles impessoais), no banco, mala, etc. Sempre achei que o meu carrinho deveria andar composto caso surgissem visitas inesperadas. Não queria que alguém entrasse janela dentro e encontrasse só uma garrafa semi-violada de óleo para o motor e um triângulo de sinalização. Acharia de muito mau gosto. Enfeitei então a bagageira com um Ipod Nano, carteira com respectivos documentos, casaquinho novo, e tudo o que um bom espectador automobilístico anseia. Deixei toda uma viatura decorada, limpinha, e fui à minha vida, que o Bairro Alto já deambulava rouco, de tanto me chamar.
Voltei 3 horas depois, pé ante pé, para o caminho ser mais calcado. Esquina dobrada e encontro o meu querido automóvel (que deus o guarde em descanso), com uma fractura exposta no vidro do passageiro. Sorri, gritei ao mundo a felicidade de alguém se ter lembrado de tal simpatia, e depois limpei, nervo a nervo, o puzzle de vidro temperado que jazia no banco. O meu bilhete de identidade, entre muitos outros documentos da mesma entidade, andam de portugal em portugal até sabe deus (e nem mesmo ele) quando.
Sexta feira, 4h da manhã, 11 graus, e eu, era o único valente a deslizar uma Marginal de janela aberta.
Parte direita do meu corpo paralisou.
Aguento-me então com um pulmão, e um braço esquerdo que se têm portado bem que é uma coisinha parva.
Hoje, o meu carro têm uma decoração mais minímalista, mas com muito, muito bom gosto.

domingo, 6 de novembro de 2005

Televisão, a cores.

Há semana e meia atrás, num qualquer estúdio de televisão, um produtor abraçou-me e cuspiu-me: "epá, Bruno! Ainda bem que te encontro. Ainda ontem estive na Sic e quando me disseram que tu ias assinar contrato eu disse logo: porra! esse gajo é insuportável, espero nunca ter de trabalhar com ele porque diz que tem um feitio insuportável! O puto é vedeta como tudo... (fim de citação) Mas olha, agora que te encontro aqui estou arrependido, és um gajo impecável! Desculpa lá!"
Tudo isto se passou com um abraço, um sorriso nos dentes, e uma faca bem afiada a ser arrancada discretamente das minhas costas.
Trabalhe-se em televisão e toda a gente nos conhece. Toda. Mesmo quem nunca nos conheceu. Todos segredam o nosso feitio, porque "ouvir dizer...". Todos afirmar com quem fomos para a cama, que somos drogados, que somos maus colegas, que dúvidas não há porque "estava na revista" Todos, menos os que nos conhecem. O senhor do café, do quiosque, do supermercado, taxista, todos, mas todos sabem e carregam a nossa vida, gota a gota. Chegamos às pessoas já com uma biografia bem traçada, e pouco há a fazer. Só depois se dão ao trabalho forçado de conhecer quem tão bem conheciam. Se somos tímidos e não sorrimos entramos no separador de "antipáticos", se sorrimos demais é porque estamos drogados, se partimos um copo num restaurante é porque "temos a mania", se não o partimos... também temos. Somos vistos com o dobro da intensidade, mas só para o mal, que para o bem a lupa não está lá. Porque só as histórias más aconchegam o estômago à noite. Anteontem no bairro alto, um sem-abrigo caíu e torceu o joelho. Ninguém o olhou por um segundo sequer. Sete olharam para mim, para ver se eu o ia ajudar ou não.
Para quem diz que aparecer no "quadradinho mágico" é só coisas boas, desenganem-se. As más, só se apresentam depois.
Hoje, deito-me de barriga para baixo, e deixo estancar mais um história nas minhas costas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

"Oh Bruno..."

"Oh Bruno, estás mais magro!"
Nunca uma frase tocou tanto no meu leitor de cd´s.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Quente, mas frio

Começa, então, o frio. Parece-me bem. Verdade seja dita que depois de hoje me ver, a mim próprio, a dar 400 euros ao Sr. Carlos de Olhão na Àrvore das Patacas, já tudo me parece bem. É verdade, eu girei toda uma Àrvore das Patacas, sem medo, com muita confiança, que só assim se gira uma àrvore daquelas.
O frio aconchega o corpo. Faz-nos mais aconchegados a quem queremos aconchegar. Faz-nos querer aconchegar a pessoa paredes meias com o nosso coração,até estalar os ossos, e ainda assim insistir. Ontem comi castanhas no Chiado. Quentes, e de facto boas. Começa toda a gente a fumegar pela boca, a guardar os pescoços em lã e mais lã, até ficar só uma cara de frente para o mundo. Lareiras, um pouco por todo o país, começam a pedir madeira e mais madeira, tal é a fome de aquecer. As canecas enchem-se de muitos chás, dispostos a quase tudo para queimarem uma língua, que tão bem deve ser usada. Essa mesma língua, pede ao chá que este a queime. Que só assim se inicia o inverno no corpo.
Seis da tarde e já a noite se senta à mesa connosco. Anoitece cedo demais para quem gosta de luz. Anoitece cedo demais mesmo para quem a detesta. Anteontem comprei lenha, ontem comprei castanhas, e hoje, espero ansiosamente que a água ferva. A minha língua pernoita irrequieta.
Queimo-a?

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Ressaca

Está estreado. A casa estava cheia, mais do que como um ovo, bem mais. Estava nervoso, muito, confesso. Raramente o estou, mas sexta feira estava. Quando falta uma hora para começar, pensei que não era nada daquilo que eu queria. Queria a minha mãe, o meu sofá, estar debaixo da roupa da cama, tudo, tudo, menos ser actor. Os nervos da espera para entrar rouba anos de vida, e connosco a assistir a tudo. Mesmo. Sentimos o sistema nervoso a picar o ponto e o estômago a cimentar. Tudo. Pensamos que até partir um pé naquele momento era mais reconfortante do que despir, peça a peça, a alma, para 200 pessoas.
Ao atravessar as cada uma das pessoas no Jardim de Inverno, para chegar ao palco e dar inicío à peça, apercebi-me que não há privilégio maior do que ter olhos e peitos dispostos a pagarem para te ouvir. Não há. Um palco é de uma força impressionante. As luzes num palco mudam, a maneira como vêmos as coisas, muda. Mudamos também nós, torna-mo-nos ainda maiores. O palco põe uma gigante lupa sobre tudo o que nos dói ou sorri.
Hoje ainda ressaco, tal é o arrombo dessa lupa. E ouço Camané. Não há nada como a nossa casa. Nada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Hoje, 23h30

É hoje. É nestas alturas que qualquer actor pensa "porquê?... com tanta profissão jeitosa..."
Não é medo. Não são nervos. É tudo. Um cocktail atestado de tudo o que contrai músculos e que assim os deixa. Pais, amigos, imprensa, pessoas que respeitamos, enfim, todos, de tudo um pouco, hoje, para verem "o que ele tanto andou a fazer no último mês e meio".
Acabo de tomar banho, ouço Maria João e Mário Laginha que de alguma maneira me tentam acalmar, mas em vão. Todo um texto da peça que fazia sentido na minha cabeça, hoje aparece com parágrafos trocados. Congestionado e com febre, que ajuda sempre um bocadinho, olho uma última vez para o texto. Tenho de ir, ainda há uma estrada para fazer e um carro para estacionar. Hoje às 23h30, estreia-se mais um medo. Hoje, às 23h30, cresci como actor.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

"Antes Eles Que Nós"



Estréia então dia 21 de Outubro. Apareçam.

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Cartaz das Artes

Amanhã, Clã no Santiago Alquimista, e eu amarrado ao Teatro Municipal São Luiz.
Vão todos, que concertos destes não se perdem de ânimo leve. Vão e gritem-me o que acharam.
Novo cd de Clã ao Vivo... chora-se quando se sofre de tanto sofrer, ou quando nos sentimos tão bem que recorremos às lágrimas para nos ajudarem a estancar o sorriso parvo. Este cd equilibra-nos entre os dois. Agradeço-vos.
Também o meu bom amigo Pedro Ribeiro, que eu tanto respeito e admiro, estreou as suas "Conversas Ribeirinhas" na Sic Radical, de 3ª a 6ª, às 20h. Porque cada vez são menos os programas que nos merecem à frente da televisão, não deixem passar este.
Despeço-me assim de mais um Cartaz das Artes, até p´ra semana.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

É melhor ir dormir...

Regressei ontem do Porto. Lá, cruzei-me com o Manuel Luis Goucha.
Tive medo.
Falta então, uma semana e meia para a estréia da peça. A dor de estômago não me deixa mentir.
Tudo corre bem, menos o tempo. Esse corre bem demais. Um grande bem haja à Anabela Baldaque, que nos vai vestir, e investir, nesta peça. O cansaço começa a levar a melhor, ainda que devagar. Sei-vos dizer que nestes últimos dias dormi uma módica quantia de 7 horas. A certa altura cheguei a ver elefantes a dançarem em cima de lâmpadas de halogénio. Ou se calhar era só o sono. De qualquer das maneiras, tinham uma coreografia espectacular, as lâmpadas.
Durmo enquanto vos escrevo. Olho para a televisão e vejo o Cláudio Ramos a falar da roupa que não sei quem levava ao aniversário da Sic. Espero que seja ainda do sono.
Há de facto pessoas que mais valia Nosso Senhor levar. Outras que mais valia Nosso Senhor mostrar a porta do Trumps.
Esforço-me para dormir, mas é pior. Quanto mais se quer dormir, menos vontade nos dá.
Sou um fã da Tertúlia Côr-de-Rosa. Acho que pode dar idéias à Al-Qaeda.
Sonho com o Cláudio Ramos e o Daniel Nascimento a dançarem Forró em cima de uma coluna. Acho que fazem uma dupla espectacular, têm imensa presença.
É melhor ir dormir.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

É da família


Porque uma imagem vale mais do que mil sentimentos. Aqui fica, é sobrinho aqui do próprio que vos escreve, é lindo de morrer, e já anda.
Contra tudo e todos, mas anda.
1 ano, poucos dias, e um sorriso lindo depois, aqui está ele.
Ah leão!

sábado, 1 de outubro de 2005

Chama-se: Folga

Enfim, um dia de descanso. Os ensaios correm a passo apressado, com a estreia já a espreitar da janela 21 do mês de outubro. Aproveito para não fazer nada...e que bom que isso é. Regra quase geral, as pessoas ao fim de semana enchem-se de "tenho de lá ir" para segunda-feira dizerem a toda a gente o quanto "lá foram". Correm, gritam, esperneiam, passam cartões multibanco em lojas que as vão fazer chorar. Eu sento-me, e escrevo-"as".
Acompanho de longe as obras da minha casa, e penso que tanto cimento junto refazia, sem problemas, a cara do Ferro Rodrigues. Seria um orçamento diferente, isso sim.
Nunca imaginei que houvesse tanta variedade de sanita. Nem de torneiras. Nem de bidés. Palavra. Há lojas só de bidés e sanitas. Isso, só por si, é bonito. Hoje olho para uma sanita com muito mais respeito. Sei que ela teve de lutar para estar ali, eram muitas a querer o lugar. A minha sanita é feliz. Ontem trouxe-a como quem carrega um filho nos braços.
Ouço o empreiteiro cansar-me os ouvidos. Faço-lhe "mute", e vejo como está a fino que se está a tornar a casa. Tiro-o do "mute" e digo: Esta bancada queria-a com 1 metro e 10. "Então mas você não acha... (mute)"
Desconfiam muito de gostos diferentes. Tive de o convencer de tudo o que queria remodelar, para ele não amuar, e não pedir um tempo à nossa relação.
Cumprimento o colega dele, moldavo até ao passaporte. Ele fica a olhar para mim, não mexe.
Estico-lhe a mão. Ele não. Recolho a mão. Ele não.
No fim deste mês já lá devo morar, assim queira o Sr. Moldavo, o maneta.
Posto isto, carrego no ponto final, e estico-me, para apanhar mais aquele bocado de sol.