sábado, 27 de janeiro de 2007

Depois de ver um anúncio...

...surge a questão.
Qual é o nível de intimidade que se tem de ser com uma pessoa, para chegarmos ao pé dela e dizermos:
"Ah! Olha que giro, tu usas papel higiénico perfumado não usas?"
É muito, não é?
É pois.

O estalar


Comprei uma máquina fotográfica nova.
Fui fotografar por Lisboa.
Apercebi-me a meio da caminhada, que tinha a cabeça quase a estalar.
Chama-se frio.
Mas frio na cabeça, está na prateleira do ridículo.
Frio no nariz está noutra ainda por montar.
Tirei umas dez fotos, e retirei-me.
Dessas dez, apareceu esta.
Que eu gosto, só porque sim.
Agora vou enfiar a cabeça num balde de água quente, e sentir aquele estalar tão bonito que se sente quando se mete um cubo de gelo no chá.
Ah, e apareceu-me uma coisa nova e bem divertida: o estalar do esterno.
O meu esterno, agora, de tempos a tempos, estala.
Com a mesma intensidade de quem estala um dedo, só que, digamos, no esterno.
Muito divertido e nos dias bons dá um estalo que é uma pintarola.
Ai, o corpo humano é mesmo divertido.
É isso, vou estalar a cabeça e o esterno ao mesmo tempo.
Boa noite.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Atestar de espírito

Chego aos estúdios da Valentim de Carvalho, de onde é transmitido o programa "Essência", da Sic Mulher.
Antes passo pelo estúdio do Curto-Circuito, para rever bons amigos, e acima de tudo para recordar a capacidade que tem de trabalhar sem meios nenhuns, mas sempre, sempre com profissionalismo.
Equipas com quatro vezes mais orçamento e o dobro de técnicos muitas vezes não fazem metade.
Depeço-me deles, mas o Xavier (DJ do Curto-Circuito) acompanha-me agora de volta para o estúdio do "Essência", onde seria entrevistado dentro de 15 minutos.
Maquilhagem.
Sento-me numas cadeiras à espera da altura para entrar.
Estava muito cansado nesse dia e confesso que sem espírito nenhum para conversar.
Precisava de "acordar".
Entra Jorge Palma. Seria o convidado que entraria depois de mim.
Senta-se.
Não olha para ninguém, só desfoca o chão.
Olha para mim, e dispara:
"Então tu é que és o designer?"
Eu, sem saber ao certo o que dizer:
"Acho que não..."
Ele, voltando a olhar para o chão.
"Hum... tá bom, tá bom".
(silêncio, muito desconfortável)
Enchi-me do espírito que precisava para entrar.
"Entras em 5 minutos Bruno".
Vamos a isso!

Agenda

Hoje:
Espectáculo à meia noite.
Termina por volta da uma e meia.
Saída do Teatro rumo a Gaia.
Dormir.

Amanhã:
Regresso de Gaia às 14h.
Reunião às 18h.
Espectáculo à meia noite.
Dormir.

Questão é:
Tenho sono e ainda são só 19h30 do dia de "Hoje".
Pensem nisso.
Bom fim de tarde.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Ponto final de Janeiro

Termina este sábado, dia 27 de Janeiro, a primeira temporada do meu espectáculo a solo no São Luiz.
Das experiências que mais me enriqueceram a nível profissional, e que (cliché dos clichés) só fazia sentido com o público incansável que foi, noite após noite, aturar-me à sala do Jardim de Inverno.
Parto agora para tournée pelo país.
As datas estão ainda a ser negociadas, teatros a serem contactados, e assim que souber mais informações deixo-as aqui.
No blog.
Recebi também o generoso convite da direcção do Teatro São Luiz para, um vez esgotada esta primeira temporada, voltar em Maio e Junho.
E assim será.
Voltarei a Lisboa a partir de 17 de Maio, e os bilhetes já estão à venda no próprio teatro.
Informações? Cá estão:
Bilheteira
Todos os dias, das 13h00 às 20h00.
Rua António Maria Cardoso 38
Tel. 21 325 7650

Lá vos espero.
Obrigado, a todos.
Vêmo-nos pelo país.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

E é!

Pela primeira vez em alguns meses, janto em casa e descanso.
Ora vou à televisão ver o que não tá a dar, ora venho ao computador, ora vou buscar Doritos à cozinha.
E é tão bom.
Já diz Sérgio Godinho: a vida é feita de pequenos nadas.
E é!

"Assim Não"

Um ponto de vista.
E um video do professor Marcelo Rebelo de Sousa a defendê-lo.
Aqui.

sábado, 13 de janeiro de 2007

"Sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura"

Está feito.
Quatro meses de trabalho e muita dor de cabeça.
Quando me propus a fazer este espectáculo a solo, nunca imaginaria que iria exigir tanto trabalho, tantas noites em branco e acima de tudo, tanto desgaste do sistema nervoso.
Quis-me envolver em tudo. Luzes, promoção, tournée, tudo.
Achei que se era um espectáculo meu, era um espectáculo meu.
Anteontem estreei.
Percebi a violência do texto, o quanto era forte.
E gostei.
A minha primeira obra completa, foi partilhada com o Sérgio Godinho, que me acompanhou em palco e ajudou a fechar o espectáculo.
Não se pode pedir muito mais.
Depois de Janeiro andarei em tournée pelo país.
Até já.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Dr. House


O que me acalma, minutos antes de dormir.
E dias antes da estréia.
Provavelmente a melhor série que vi nos últimos anos.
Hugh Laurie, brilhante.

E agora, vou só ali fazer luzes ao São Luiz, porque parece que estreio na quinta feira.
Ai.

sábado, 23 de dezembro de 2006

A "minha" banda, em Portugal.

Frio.
O suficiente para parar um rim.
Mas ainda assim, a força de aquecer os dedos para uma novidade que me aquecerá de certeza o os ouvidos do peito.
Das minhas bandas preferidas, que já pensei seguir até aos Estados Unidos.
Chamam-se Dave Matthews Band, e estarão no dia 25 de Maio no Pavilhão Atlântico.
Lá estarei, com toda a certeza.
Aqui fica "Everyday", para quem não conhece, e para quem quer continuar a conhecer.
E... um santo e feliz Natal.
Estava a brincar.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

A Solo

Noites mal dormidas e muitos, muitos nervos.
Ausência de escrita no blog, também.
Cansaço, demasiado.
E orgulho na equipa que aceitou apoiar este projecto.
Quer corra bem ou corra mal, estreará no dia 11 de Janeiro.
Tudo isto se deve a:



























E a bonita frase:
Bilhetes já à venda no Teatro Municipal São Luiz, e Locais Habituais.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Extremamente corajoso

Para quem diz que eu não sou corajoso, cá vai a prova derradeira:
Vou, neste momento, para um Centro Comercial.
Hum?
Quem é o menino agora, quem é?
Os fraquinhos compram tudo com antecedência, os fortalhaços não, mostram do que são feitos nestes dias.
Nos Centros Comerciais.
Gosto da parte em que começamos a ficar tontos por causa das luzes e da música.
Mas gosto ainda mais das pessoas que se esquecem que estão numa escada rolante e caiem na saída.
Se Deus for assim tão grande como dizem vai-me presentear com um desses momentos.
Aqui vou eu, em:
3,
2,
1.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Papinha

Posso afirmar, com alguma segurança, que tenho o cérebro numa espécie de papa.
A verdade é que o Natal, faz-se acompanhar de muita correria profissional.
Não me queixo, só a cabeça.
Tento não deixar de parte as compras que tanta alegria me dão.
O Colombo, quando visitado à hora certa, pode ser maravilhoso.
19h é uma delas.
É o culminar da hora de trabalho de quase todo o Portugal com algumas pessoas que chegam mais cedo para "comerem qualquer coisita" por lá.
Constantes refrescares de memória com "é ele é", e músicas que anestesiam a parte fraca do cérebro.
Hoje, dois eventos de Stand Up e uma noite de escrita pela frente.
Vou falando com vocês até desfalecer.
Que nosso senhor me acompanhe. (ele é um acompanhante espectacular)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

1 mês depois

Hoje fui buscar um computador Mac que estava para arranjar há já um mês.
Chego, e sento-me.
Sento-o à minha frente.
Escritório morno à força de aquecimento.
"Power".
Ecrã azul do desktop.
E a mensagem: "Please turn off your computer immediately and then restart".
Assim sim, vale a pena.

Sono, algum. Não, muito.

Há três horas seguidas a escrever. Já não consigo ver a barra do Word a piscar.
O músculo da criatividade já se foi deitar, mas insisto em acordá-lo.
Fecho a agenda que tem linhas a menos para as linhas a mais de amanhã.
Quero dormir.
Mas antes: Um episódio da "Cidade dos Homens".
E depois sim, dormir.
Até... já.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Ai Jasus.

De repente, às 00h43 lembro-me:
Dia 27/11/06 - "Espectáculo de Stand Up para a Tabaqueira".
E eu debruçado sobre toda uma caixa do "Sete Palmos de Terra".
Arrumo-a no armário.
E estudo.
Sono.

P.s.- Li nas revistas todas "cor-de-nada" uma noticia interessantíssima:
"Sabemos de fonte segura que Bruno Nogueira não vai a Marrocos".
Gostava de pedir a todas essas publicações de fontes o dinheiro que gastei no meu hotel de Marraquexe.
Obrigado e parabéns pelo intensivo trabalho de pesquisa forense.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Pequena dor.

Há uma música, que tem necessariamente de ser ouvida.
Para bem do peito.
E de quem lá vive.

Chama-se "Pequena Dor", de Rui Veloso.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Capitulo 2

Anúncio da campanha do Millennium BCP que fica pela internet.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Quero ter frio.

As noites andam a acordar cedo demais.
Antecede-se uma hora no relógio, mas duas no escritório da cabeça.
Hoje em dia (mais hoje), faz-me falta obedecer a mais umas horas de luz.
Duas, para ser mais preciso.
O calor aperta-me o corpo em dias que eram feitos de malhas do fundo do armário e lareiras a estalar.
Quero ter frio.
Só um bocadinho, daquele que nos obriga a camisolas demasiado gordas.
Quero ter robes depois do banho e meias quentes em vez de chinelos.
A chuva só se devia fazer acompanhar de temperaturas rentes ao chão.
A mais não é obrigada.
Apetece-me fumegar da boca e perceber que se calhar devia ter trazido "qualquer coisa quentinha", como a minha mãe martelou pelo telefone.
Quero ser sufocado por um cachecol.
Queimar a barriga da lingua com chá de inverno, que só assim se chama pelo frio.
E não.
Escrevo-vos de t-shirt e chinelos.
O fumo que me sai da boca faz-se acompanhar de demasiado alcatrão.
Prefiro comer um troço da Marginal e ter o outro fumo.
Amanhã sigo para o norte.
Metereologia?
"Temperatura prevista para amanhã no norte do país: 24 graus."
Já nem digo nada.
Só quero ter frio.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Fim do meu dia

Sofá.
Manta.
Pão com manteiga e geleia.
Entrevista a António Lobo Antunes na RTP1.
Telemóvel desligado.
E mundo e meio a gritar fins-do-dia do lado de fora da porta.

Há coisas melhores? Claro que há.
Mas por hoje, não.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Sim, músculos


Ontem, 18h, ginásio.
Mentalizei-me de uma coisa: é muito difícil desenvolver músculos que já se foram embora.
E então decidi começar a criar uns de raiz.
Todos os atletas do ginásio de olhos postos nos exercícios.
Treinos ritmados e que vistos assim, ao longe, faziam todo o sentido do mundo.
Sorrisos, suores, mas no fundo, o sentido de missão mais que cumprida.
E depois entro eu.
Meio descoordenado, ou muito.
Ainda sem perceber bem o que é que os braços e as pernas fazem sozinhos, quanto mais com máquinas.
E com a paciência de um amigo que me ajuda a empurrar pesos que não me incomodavam nada se ficassem parados.
Previ uma hora de treino.
Fiz 20 mn.
Dor, muita. Daquela que inclusivamente dói.
E sempre a frase da praxe: "epá! se já te dói hoje, amanhã nem te vais conseguir mexer! eh eh eh"
Eu: "eh eh eh".
Hoje escrevo este post com o queixo.
Comecei a escrever às 09h30. São 13h11.
Uma palhinha e tá servido o almoço.
Descobri que tenho músculos, mas contentava-me só com metade deles.
Bom apetite.

(É assustadora a parecença da imagem de cima comigo. Assustadora)

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Assim, sim.

Acordo de corpo dorido.
Chama-se gripe.
De noite virei-me para todos os lados que havia na cama, e ainda para alguns que acrescentei.
Não dormi.
Estômago? Também dói.
Trabalhinho? O dia todo.
Assim sim, vale a pena.
Ben-U-Ron e um beijo na testa, que grita 39 graus.
Boa tarde.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Há tempo?

Saudades de vos escrever!

Como estão os meus bons amigos?
Espero que bem.
Ando de ponta em ponta do país, a tropeçar em cansaço.
A peça "Antes Eles Que Nós" vai-me levando pela mão de cidade em cidade.
Há sede de espectáculos pelo país.
Lisboa está demasiado abraçada a ela própria.
Queria também que soubessem que não somos nós que decidimos onde vamos fazer a peça, mas sim a produção.
Perguntam-me: Porque não vêm cá?
Respondo: Porque não mandamos nada. Ou menos.
Próxima semana: Macedo De Cavaleiros.
Pelo que sei fica um bocadinho depois do "muito longe".
A partir de onde é que se conta o longe?
Norte de Portugal, onde me sinto em casa.
Onde me sinto.
Voltarei para vos escrever com mais calma.
Este post serve apenas para me lembrar que ainda me lembro de vocês.
Até.

sábado, 30 de setembro de 2006

11h35 de uma manhã

Carlos Castro, na RTP1, canal do Estado, pago para dizer mal do que vê nas revistas.
É assim que acordo o espanto, na Praça da Alegria.
Pago por nós.
O ordenado de quem diz mal de mim, é pago por... mim.
Tento fazer contas de cabeça, muito rentes ao chão, para perceber o que atrai um produtor, por muito dinheiro e tempo que tenha, a tricotar dinheiro em Mayas, Carlos Castros e Cláudios Ramos das traseiras da qualidade da nossa televisão.
E não consigo descobrir.
Do Cláudio Ramos dispenso comentários. Tenho-os guardados nas águas furtadas do insulto.
Considera-se o melhor naquilo que faz (palavras da própria).
E quando achamos isso, tudo o que dissermos cairá,inevitavelmente, em saco roto.
Mesmo muito roto.
A Maya desdobra-se em profissões para ninguém perceber que não tem nenhuma.
Nem o Y estilizado do nome.
Relações Públicas de discotecas, taróloga de chamadas de desperdício acrescentado e Comadre.
Tudo isto lhe confere o tempo de antena que devia estar na ponta da língua de quem interessa ao público que gosta de usar ocasionalmente o cérebro.
Ao menos façam festinhas na barriga da inteligência.
Se uma figura pública repetir uma roupa em duas festas distintas, se calhar é porque quer repetir essa roupa em duas festas distintas.
Se uma figura pública pinta o cabelo se calhar é porque quer pintar o cabelo.
Se uma figura pública faz xixi na sanita, se calhar é porque quer fazer xixi na sanita.
Tenho uma prima minha surda, que adora ouvir a Maya.
E nem para ela isto faz sentido.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Digressão

Sexta-Feira, estarei em Évora, no Teatro Garcia de Resende e Sábado no Centro Cultural António Aleixo, em Vila Real de Santo António.
"Antes Eles Que Nós."
E o restaurante Fialho em Évora que é uma coisa boa demais para sequer se acreditar que se está só a comer.
Apareçam-nos.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Desculpem

Peço desculpa pela minha ausência.
Encetei há dias uma das fase criativas mais importantes da minha curta "carreira".
Farei os possíveis para vos vir falar sempre que o tempo me deixar.
E a cabeça.
Para já, desdobro-me em muitos, para que tudo corra bem.
Até breve.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Vila Real

Esta sexta, dia 15 de Setembro, "Antes Eles Que Nós" em Vila Real de Trás-os-Montes.
Longe.
E lindo.
Apareçam-nos.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Digressão "Antes Eles Que Nós"


Começa este Sábado, no Centro De Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.
Durante Setembro e Outubro iremos andar pelo país com a peça às costas.
E com todo o prazer.
Apareçam.

Home Video #1

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Foi assim

O Bruninho esteve sem internet este tempo todo?
Esteve sim senhor.
Vieram cá uns senhores espectaculares do mundo da internet ajudar o Bruninho?
Vieram sim senhor.
Hoje em dia o Bruninho já tem internet porque vieram cá uns senhores espectaculares do mundo da internet?
Já sim senhor.
Disseram ao Bruninho que afinal era só o cabo "##jdiowehjo2sadjilasj" e que já está tudo "tratadinho"?
Epá, disseram.
Será que o Bruninho fez amor com algum dos senhores da internet enquanto ajustavam o sinal do Biography Channel?
Fez sim senhor. Com o alto, que tinha um alicate de pontas muito giro.
Isso faz do Bruninho uma pessoa extremamente sensível?

É possível.

sábado, 26 de agosto de 2006

O primeiro ano

Estava praticamente a desligar o computador, e os olhos, mas lembrei-me:
O blog Corpo Dormente escreve hoje um ano de idade.
Depositei pela primeira vez palavras aqui num dia que se estendeu dois metros para uma paciência de metro e meio.
Gritei pela ponta dos dedos uma inscrição no Blogger, para sussurrar um texto.
E assim, começou.
Sem que os olhos se apercebam, escrevo hoje, e sempre, para esvaziar palavras que me magoam a parte de cima da cabeça com as pontas afiadas.
Palavras que dormem mal, adormeço-as aqui.
Restos de letras mal acabadas que achei desperdício apagar num cinzeiro.
Dou-vos, com tudo o que sei.
Entenda-se:
Sempre apaguei pretensões do que quer que seja.
Não pretendo por o ego em bicos de pés.
Só escrever.
E saber-vos a ler.

Muito obrigado a todos os que aqui embalam os olhos, e o peito.
Espero ter letras que cheguem para mais um ano.
Por agora entrem, e sentem-se à vontade.

Audi Q7




Simplesmente lindo.

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Ei-lo


Com o coração a correr cada dia mais depressa.

O meu sobrinho.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Merche Romero, a triste história

"Merche mandou tirar bidé da casa nova", é esta a notícia que abala país e meio.
A bomba é lançada pelo "jornal" 24 Horas, e o choque, é imediato.
Ainda o país não se encostou com o terror dos fogos já está a acordar com outra bomba.
A pior de todas.
O 24 Horas, sempre pioneiro em informações essenciais a quem não precisa delas, conseguiu que uma fonte lhe sussurasse isso ao ouvido.
A questão é: que tipo de fonte sabe de movimentações de bidés de famosos?
Resposta: Uma fonte que está destacada só para saber de movimentações suspeitas de bidés de famosos.
A malta dos bidés é uma malta que não brinca.
Já os bidés da alta roda são de uma maldade como poucos conhecem.
Ninguém dá por eles, mas o que é certo é que quando menos se espera, vai um bidé para o meio da Almirante Reis e faz-se explodir.
Não brincam, têm a escola toda.
E nem vou falar de piaçabas, senão não saíamos daqui
O bidé de Merche, que estava certamente para aprontar das dele, não foi excepção.
Pedro Tadeu, director deste nome maior da informação, concluíu então, num rasgo de génio, que esta notícia deveria ser tema de capa da edição de hoje do "jornal".
Espertíssimo.
Deu assim, antes que fosse tarde, uma notícia que pode ajudar a encontrar o paradeiro do mesmo e devolvê-lo às autoridades locais.
Estamos a falar de um bidé que já deve ter aconchegado vezes sem conta o rabinho de Merche e Ronaldo, ainda que em alturas diferentes.

Pedro Tadeu, sentado na sua secretária cor de rosa, terá pensado: "então mas isto anda tudo maluco? então vai-me tirar um bidé tão fino e nem uma conferência de imprensa? Ela já vai ver o que é bom para não ter a mania que faz coisas alternativas na casa-de-banho dela."
Foi reposta a verdade.
Qualquer outro jornal deixaria esta informação passar ao lado.
Este não.
Este não dorme.
Este achou que, de entre tudo o que se passou no dia 16 de Agosto de 2006 em Portugal, o bidé de Merche Romero foi o mais alarmante.
E gritou isso ao mundo.

A frase da semana

"As minhas fãs são porreiras e não guincham" - José Cid, num momento de pura sensibilidade.

Mas...!?

Acordo, e... chuva.
Daqueles dias em que fechamos e abrimos o espanto várias vezes, para termos a certeza que não dormimos duas estações a mais.
Mas não.
Continua a ser Agosto, continua a ser uma vaga de calor como se vestiram poucas em Portugal, mas... com chuva e frio.
Ainda haverá estações?
Ou existiram até nós as adormecermos com sprays e "deito aqui que o caixote está longe"?
O egoísmo de plantar lixo pelo chão vai ao ponto de matarem os filhos, ou com sorte, os netos.
O papel não se vai arrastar sozinho até ao lixo.
E quem é que se vai arrastar quando o mundo estiver demasiado fraco para nos guardar na barriga?
Os "outros".
Eu já não sou do tempo das estações guardadas nos sítios certos.
Para mim o verão já não é sinónimo de calor, nem o Inverno de frio.
Pode lá ter uns dias baralhados ao acaso, mas nada mais.
Os ossos de quem sofre quando muda o tempo, já não sabem quando doer.
Dou por mim a levar roupa de verão e camisolas de inverno, porque ele vai, concerteza, "fazer das dele".
Trocámos tudo, mas pouco nos importa.
Os ossos do mundo não aguentam sozinhos.

Será que matámos o tempo?
Acordem.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Dois filmes

Aproveito para aconselhar dois filmes bem diferentes, mas igualmente bons, que vi ultimamente.


Transamerica é, quanto a mim, dos melhores papéis que uma actriz pode dar à luz.
Felicity Huffman, num papel esmagador na pele de um transexual, que dias antes de se submeter à operação definitiva ao sexo, reencontra o filho.
Não é um filme moralista.
É divertido e ligeiro.
Feito com pouco dinheiro, o que implica, regra geral, bom gosto.
A falta de orçamento tem a mais valia de não deixar adormecer a imaginação.
Já muito dinheiro sufoca a criatividade.
Felicity (para os amigos), pousou em casa vários prémios, menos o Óscar.
Porquê?
Por ser um tema controverso que faz comichão na testa de um país terceiro mundista:
Os Estados Unidos da América.
Nome comprido para pouco sumo.
Vejam. Vejam-na.


O segundo vi porque me alertaram para um actor que têm uma peça em cartaz há anos, em Berlim.
Alertaram-me também que era obrigatório ver.
A peça retratava Adolf Hitler, e o actor, começava em posição de cão raivoso até se ir levantando e se transformar num homem.
A pessoa em questão, viu a peça do princípio ao fim, sem perceber uma palavra, e no fim estilhaçou-se em lágrimas.
Já imaginaram a força de um actor que provoca isso?
Sublinho: Sem perceber uma palavra.
O nome desse actor é Bruno Ganz.
Suíço de 64 anos
Procurei então o filme mais recente que ele tinha iluminado.
Encontrei "A Queda".
A história das últimas horas de Hitler.
Confesso que guardo pouca ou nenhuma paciência para filmes sobre o tema, mas forcei-me a mim e mais dois olhos a ver.
O Hitler protagonizado por Bruno Ganz, é, de facto, genial.
A expressão da cara de Bruno acorda-nos o coração na boca entre-aberta
Todo o filme vale pelos momentos em que ele rasga o écran e nos grita o que é representar.
Fico sempre pirosamente emocionado quando assim é. A capacidade de causar um soco dessa dimensão num espectador, eleva-os para um patamar acima da média.
E eu, agradeço.
Vejam, nem que seja para não gostarem.

sábado, 12 de agosto de 2006

Servidos?

Heineken e fim de tarde.
A praia soube a pouco, mesmo depois de muito.
Leva-se o que sobra na pele.
Há qualquer coisa de muito bom no chegar a casa depois de um bom dia de praia.
A areia ainda tropeça do cabelo e o sal lambe o corpo todo.
E nós, gostamos.
Fez-se as compras à tarde, para à noite ser só chegar e cozinhar.
Amigos de sobra, comida mais que boa, e Lisboa à distância de um télémovel.
Bom.
A televisão a falar sozinha na sala, e a cozinha a encher-se de facas e legumes prontos a irem desta para muito melhor.
Esquece-se o relógio do pulso.
Fica só o nosso, a dar as horas que pedirmos.
Põe-se a mesa com tudo, e parte do peito.
Estoiram cheiros bons de tachos cheios de muito.
Sorteiam-se banhos e toalhas.
Dá-se graças a nós por amigos que chegam onde poucos chegam.
Cá.
"Tá na mesa!".
Servidos?

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Só para não estar calado

Parece que está um calor que não se pode.
Mas também parece que as praias estão cheias desde as matrículas dos carros, até alto mar.
Hum.
Feitas as contas, vou então ler.
É um livrinho pequenino, tem 590 páginas.
Se tudo correr bem, quando acabar o livro já o Marques Mendes têm idade para tirar a carta.
É fofinho. Tão pequenino e já fala.

domingo, 23 de julho de 2006

Peito em carne viva

Feitas as contas, de ontem para hoje fiz uns 1000 kms.
São muitos, mesmo contados com paciência. Mas foram bons, muito bons.
Ontem, por volta das 19h, saí de Lisboa com a alegria com que se sai de Lisboa.
Estendem-se dois braços de alcatrão, só para nós.
Vê-se tudo a ficar para trás e a cabeça vai adormecendo o lado agitado.
As árvores, em conjuntos de muitas, empurram-nos o olhar para outros carros. Vistos bem, vão todos de suspensão a lamber o chão, atestados de tudo o que havia lá em casa, porque "nunca se sabe".
O português não vai de férias, vai de casa.
Cães a contarem traços brancos de estrada, fraldas a quebrar a luz nas janelas, rolos de papel higiénico na montra do vidro de trás, porque todos sabemos que tirando Lisboa, poucas cidades aderiram a essa moda recente.
Tudo. E ainda cinco pessoas.
Invertem-se os factores. Temos um conjunto de malas que, por acaso, dá boleia a cinco pessoas.
E seguimos, de olhos em pontos mortos.
Depois de muitas promessas às paredes fracas do estômago, às 21h30 estava sentado, na Mealhada, de Leitão às portas da boca.
Deixei-o entrar. Com honras de estado e tudo o mais que tinha disponível.
Saladinha temperada pelas mãos de quem sabe.
Uma mesa cheia de companhia mais que boa, que só assim se come bem. Come-se com tudo.
Dormir. De mãos dadas, para não te perder.
Acordar. De mãos dadas.
Cantanhede-Carvalhais-São Pedro do Sul.
Tudo visto de peito em carne viva.
Lindo. De nos apetecer rasgar os olhos para ver mais.
Amo-te-nos cada vez mais, sabias?
O meu relógio grita duas da manhã.
Cheguei há hora e meia, mas ainda não cheguei.
Vou ficar lá mais um dia, mas vou dormir aqui.
Dás-me a mão?

sexta-feira, 21 de julho de 2006

"Politics"

Mais uma vez de Ricky Gervais. Desta vez, é um pequeno video do inicío de um dos seus espectáculos de Stand Up Comedy, o "Politics".
Genial.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Tá quase!

Faltam, exactamente, 4 dias para ir de férias.
E não há coisa mais bonita, quanto a mim, de se partilhar num blog.
Ou há?

quarta-feira, 19 de julho de 2006

O humor, como ele deve ser.

Era para este lado que devia evoluir o humor em Portugal. Ainda tenho essa esperança.
A série chama-se "Extras" do mais que talentoso Ricky Gervais (criador da série The Office). Uma série sobre figurantes de série e filmes, com vários "cameos" de actores conhecidos do grande publico. Neste em particular é Ben Stiller.
Fica aqui provado que o humor, quando bem feito, não tem limites.
Só o bom gosto.
Que se abram as mentalidades e se suba um degrau na inteligência de fazer rir.
A comédia não é uma arte menor como se tenta mostrar em Portugal.
Não se deixem enganar. É muito mais do que isso, assim nos deixem fazer.
É uma arte que muito me orgulha. Não cá.
Nada. Tirando honrosas excepções, que se contam pelos dedos de uma meia mão.
Sou exigente como espectador porque não gosto de me sentir estúpido.
Espero o mesmo desta nova geração também. Quem manda no que acontece na televisão é o público.
Mais ninguém.
Exijam.

Reparem na inteligência que Ben Stiller tem de gozar com ele próprio.
Isso sim, é humor inteligente.

domingo, 16 de julho de 2006

Isso

Ora...nem é tanto o calor.
É...
Exacto.
Ficamos então assim combinados.

sábado, 15 de julho de 2006

11h15 - Dentista

Hoje, 11h15, dentista.
Consultório bonito.
Motivo: Parti parte significativa de um dente, e antes que nosso senhor o levasse por completo, fui pedir ajuda aos justiceiros da boquinha.
Cadeira muito bonita, broca do "mai" lindo que há, e um instrumento do qual sou fã e não poderia deixar passar em branco: o aspirador de saliva.
Aparelhómetro de altíssimo nível, que permite compor melodias do mais belo que já foi ouvido quando se passeia por lá com a língua.
Equipam-me de babete e cabecinha encostada num almofada de medo.
Começa.
Abro a boca para além de muito. Se me pedissem para comer o mundo abriria pouco mais.
A primeira aproximação é feita com um espelhinho, meio apaneleirado, confesso. Uma espécie de retrovisor desse grande mundo que é o automóvel dentário.
Não estava nada de bom, e teria de aplicar um belo chumbinho, só para ver se eu me acalmava.
Começa, a sério.
Damos as boas-vindas a uma seringa, que vista assim, a medo, parece ter 3 andares.
Uma coisa enorme, de agulha em riste, que nos arromba as trancas da boca, entra porta a dentro da gengiva, e adormece-a.
E com ela, a calma.
O barulho de uma broca a trabalhar sobre o olhar atento do céu da boca ensurdece a parte fraca dos nervos.
Ensurdece-nos por dentro.
Atestaram-me o chão da língua com metal, barulhos e mãos que nos violam o sabor.
Cedida então a nossa boca, cumprimentamos as lâmpadas todas.
Vemos dois pares de olhos debruçados em "isto não está nada bom" e máscaras de demasiado à vontade.
Pensamos nas coisas todas que temos para fazer e que nunca vamos fazer.
Pensamos na nossa casa.
Pensamos em coisas para pensar.
Bochechamos restos mais que mortais num copo de água, e deixamos os músculos descansar.
Relembre-se aqui que bochechar água com meia boca adormecida é dos processos mais deprimentes a que se pode assistir. Fazemos tudo com um ar doutoral, mas os esguichos de água que escorrem queixo abaixo (também ele adormecido) dão-nos um toque de pateta alegre.
Anestesiado, mas alegre.
Fazemos promessas de terminar com as cáries do mundo inteiro. Que agora tudo vai ser diferente e esta dentição vai ser do mais bem cimentado que se viu por estas bandas.
Saímos. Pagamos meio PIB do Cazaquistão e saímos consultório fora.
Hoje como só com o lado esquerdo, e trinco a bochecha do lado direito que parece ter dois metros de largo.
Segunda feira volto lá. Parece que dava jeito ao Cazaquistão eu rebentar com outra cárie.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Só um apontamento.

Não é que eu não goste do Cláudio Ramos, prefiro é mulheres mais altas.

sábado, 8 de julho de 2006

Só assim.

Está um fim de tarde de peito dado ao mais que bom.
Um puff, do querido senhor "Fatboy": uma coisa gigante, no meio da relva.
Esteve um calor insuportável. Suava-se por uma sombra.
Mas agora sabe pela vida. Há dias em que o vento discute com a nossa pele que temperatura nos apetece.
E cede.
Falam durante 20 a 30 minutos, um desaguisado ou outro, porque em assuntos de temperatura não é tudo à primeira. Chega-se a uma média aceitável, tanto para o vento, como para a pele, e entra-se em vigor.
E fica-se, a olhar para a parte mais vazia do nada, e a pensar em tudo.
Tão bom, só assim.
A noite não foi falada. Tanto se pode manter o acordo, ou (como de resto tem sido), baixa a temperatura para um casaco centígrado.
Pouco me importa, estarei no teatro. Que por sua vez estará, creio eu, com pouca gente: Portugal joga às 20h, a peça começa às 21h30.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Colombo, esse nome maior

Passei um bonito dia (mas muito bonito mesmo), nesse nome maior da cultura que é o Colombo.
Coisa boa.
(Em jeito de aparte: há muitas grávidas a passearem barrigas no Colombo. Demasiadas. Daquelas que são passeadas pelas barrigas, e descansam em tripés.)
Mas enfim, segui para a loja de informática.
(Em jeito de aparte: há muitos óculos graduados a passearem em lojas de informática. E muita, mas muita, testosterona.)
Agora sim, cheguei à loja de informática.
Motivo: uma impressora que prometia ser uma coisa que vai lá vai, mas nunca chegou a ir.
Decidi, como bom utente, informar-me mais sobre o paradeiro e funções da mesma.
Alvo: um promotor da marca da impressora. Pessoa especializada (ao que dizem) no assunto.
Pessoa bem apresentada, dentes bonitos, barba feita.
Entendimento no assunto? Não me parece.
"Eu gostava de imprimir fotos em tamanho 10cm por 15cm (o tamanho normal das fotos), mas a impressora só me deixa imprimir em papel A4. Como posso fazer?" disse eu, do fundo do meu 1.94m.
Silêncio.
Mas daqueles silêncios em que se olha para a máquina, de cima a baixo, entradas e saídas de cabos, como se a fotografia pudesse, por alma do Nosso Senhor das Impressoras, sair pelo cabo de alimentação.
"Epá...hum...pois isso agora..." (metade do problema, portanto, resolucionado) "Vou ligar para o nosso callcenter que os gajos hão-de saber isto".
Ligou. Não sabiam. Ou se sabiam, não desconfiavam.
Mexeu em botões como quem mexe em botões pela primeira vez. Tratava a máquina por você. Nunca a tinha visto mais gorda, ou se a viu, não se apresentaram.
Que isto é muito botão. Que até devia dar, mas não dava. Que a máquina é topo de gama e às vezes vem com truques que nem a malta sabe. Que tudo.
Arrematou, minutos roídos, em jeito de sobredotado no universo da informática:

"Isso se calhar o melhor é trocar por outra máquina".

Silêncio. Do meu lado do campo.
Fiz contas de cabeça em quanto me iria ficar insultá-lo. Dava demasiado.
Estou de paciência atestada para pessoas incompetentes a trabalhar. Por um racíocinio muito simples: conheço desempregados competentes que, também eles, têm bocas mais novas para alimentar.
Troquei. Mas por outra marca.
Despediu-se dizendo "Ganda maluco, gosto um molho do teu trabalho".
Despedi-me dizendo "Nunca vi o seu".

Agora, deito-me no sótão (onde a casa fica em bicos de pés), e imprimo fotografias de dias que me aqueceram o estômago do peito.
E isso vale tudo.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Mais um copy-paste

"Sossegar não é descansar- não é uma consequência do cansaço. Quando Rebelo da Silva, citado por Moraes, que por sua vez cita o dicionário de Freire, diz:
"O coração não sossega, a vida cansa",
ambas as coisas são verdadeiras, mas a associação é enganadora, porque o coração não sossega por causa de a vida cansar.
Há cansaços bons. Não. O coração não sossega, porque não tem com que sossegar.
Quando aparece um amigo sem avisar, interrompendo tudo o que se tencionava fazer, sossega-se. Quando se está a lutar contra a injustiça e a maldade, com todas as forças que se tem, sossega-se. Quando se lê um poema ou uma história bonita, por muito triste que seja, sossega-se. Quando se acredita em Deus. Isso, sim, é sossegar.
Gosto de "sossegar" como verbo transitivo. Sossegar só por si não chega. É mais bonito sossegar alguém. Quando se pede "Sossega o meu coração", e se consegue sossegar. Quando se sai, quando se faz um esforço para sossegar alguém. E não é adormecendo ou tranquilizando, em jeito de médico a dar um sedativo, que se sossega uma pessoa. É enchendo-lhe a alma de amor, confiança, alegria, esperança e tudo o mais que é presente a tornar-se, de repente, futuro. É o futuro que sossega. "Amanhã vamos passear", sossega mais que "Não te preocupes" ou "Deixa lá, que eu trato disso"."


Miguel Esteves Cardoso, e eu.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Noite de fados, e uma frase...

..."Os olhos do meu amor não os vejo em mais ninguém"

terça-feira, 20 de junho de 2006

A medo

Hoje choveu o dia todo. A medo, deixei as águas furtadas da cabeça entre-abertas e sequei o sol na gaveta do peito.




Bem sei que sendo português, vou esbarrar com o politicamente correcto, mas cá vai (a medo):
Estou feliz.
Posso, mas não me quero queixar. Dá muito trabalho aos escritórios do meio dos nervos.
Ouço fado, mas com os vincos certos na cara.
Tenho dormido bem, graças a uma vasta equipa que me arrasta os olhos até ao rés-do-nada.
Já são horas. Quais? Não sei, é o que se diz nestas alturas.
Visto-me com roupas de dormir, daquelas que dão vergonha aos acordados.
Pais insistem (ou talvez só a mãe): "não deites fora essa t-shirt, aproveita que dá para dormir".
Dormir com uma t-shirt boa, pode, em muitos casos, fazer dói-dói no mais profundo sentimento do Dr. Ó-ó.
Era aborrecido.
Sempre imaginei o Dr. Ó-ó como um indivíduo de rastas,tocador do "mai" bonito djambé do Adamastor e a comer sabonetes de haxixe pra queimar o tempo.
O Dr Ó-ó não roda o sabonete (leia-se como nota de roda-texto)
E faz-se apresentar sempre, mas sempre, com uma t-shirt velha.
O Dr Ó-ó não é beto. Olha betinhos pró Dr. Ó-ó!
Raramente dormimos com uma camisa Gant ou Façonnable. E se o fizéssemos, ia-mo-nos dar mal.
Não queremos isso.
Sapato de vela azul escuro com sola branca? Não me parece. "Meiínha" velha.
O Sr Ó-ó não brinca: Trabalho é trabalho e bardamerda caladinhos.
Visto a tal t-shirt (viu dr ó-ó, há aqui uma generosa dose de respeito)

Apago a noite num cinzeiro, daqueles que guardam o que os pulmões não querem.
Tranco os olhos. Dou duas voltas, e deixo a chave encostada aos teus dedos, não te vá dar uma aflição a três terços da noite.
Durmo o número de horas desde sempre acordado com o centro das costas: demasiadas, mesmo para quem dorme demasiado.
Sonho.
A cores, ultimamente. Não porque seja uma exigência minha, que em matéria de sonhos sou um rapaz modesto, mas porque o preto e branco se esquece da tua cor.
Acordo com os bons dias sentados nos olhos.
Abro o chuveiro e dou de beber ao corpo e meio. O meu.
Desço, queimo o peito da língua com cinco tragos de café e escondo o açúcar na cave da língua, para o que der e vier.
Escondo a chave do carro no bolso, rasgo a porta de casa e dou de caras com a metade quente do sol.
Embrulho-o e guardo-o na terceira gaveta.




Hoje choveu o dia todo. A medo, deixei as águas furtadas da cabeça entre-abertas e sequei o sol na gaveta do peito.

domingo, 18 de junho de 2006

De rajada...

...perco a carteira, chave de casa, e do carro.
Assim, a quente.
E penso (pouquinho) de mim para mim:
"Bruno, caso ainda não te tenhas dado conta, uma parte generosa do teu império material desapareceu em 5 mn."
Riu-me, mas com a parte fraca do sistema nervoso.
Façamos então o ponto da situação:
Estou portanto algemado em casa, sem poder sair, sem transporte e sem dinheiro para me fazer transportar.
A pé? Muitos km´s. Mesmo. Nem sequer vamos por aí.
Telemóvel com saldo para ligar a alguém? Não me parece.
Um muito obrigado a todos os que tornaram isso possível.
E agora vou para dentro, que tenho um coração por bater.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Uma linha

Haveria muitos textos engraçados para escrever, mas achei que uma linha chegava para alimentar outras quarenta nas vossas cabeças:

Cláudio Ramos como padrinho da marcha do Castelo.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Dia bom

Acordar com a alegria atestada no peito.
Arrumar cd´s, dvd´s, e livros nas prateleiras do "até que a morte nos separe".
Aproveitar a folga com tropeções em nada para fazer, mas que têm de ser feitos.
Cheiro a brasas com a língua de fora prás sardinhas.
Cheira bem.
Cheira a dias com sorrisos pregados nos cantos dos lábios.
E tu no canto dos olhos.



E agora shiuuu, que vou por o coração a dormir.

domingo, 11 de junho de 2006

Palavras amontoadas

Não tenho tema nenhum para o que vai ser escrito nos próximos minutos.
Só dedos a pisarem teclas com a força de dedos que pisam teclas.
São 19h30, o dia foi calmo, ou quase nada, como de resto se apresentam os Domingos. Fico sempre com a leve (muito leve) sensação de que o Domingo é a parte de trás de um outro dia qualquer.
Custa-me a acreditar.
Chego aos Domingos como quem chega à Igreja: não acredito.
Comi bem, graças a mim.
Acabei de ler o Expresso, onde ofereciam uma bonita bandeira de Portugal. A questão é: será que chegam?
O Mundial ainda não começou e já não posso ouvir falar dele. Que Deus o leve.
Descansei o dia todo.
Sinto-me de rastos.
Descansar cansa-me. Faz-me doer o meio da cabeça.
Recebo chamadas e mensagens boas, daquelas que fazem festinhas no peito do peito.
Desfolho a Focus, a Visão e a Única. Dão-me um ar intelectual e engana por segundos o leitor.
Arrumo-as, e com ela a tarde.
Como tudo o que engorda. Nada me engorda.
Olho para a agenda semi-fechada no outro canto da sala. Semi-abro-a.
Amanhã, segundo dizem, acorda outro dia.
O Domingo, passa o tempo a espreguiçar-se. E eu ajudo-o, em braços coreografados.
Bom jogo.
Angola já leva 1-0 na pá.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Retrospectiva

Afastado, um pouco.
Mas o trabalho e a falta de internet também ajudaram.
Ainda assim, fica aqui
ou melhor,
aqui,
o meu pedido de desculpas formal a todos os que diariamente tentam beber algo mais do que letras do meu blog.
Um grande bem haja também para a imprensa cor-de-rosa que tanto tenta saber da minha vida à boleia do meu querido blog. Ainda assim, garanto-vos que há coisas bem mais interessantes para vasculhar, nomeadamente um curso de jornalismo, por mais curto que seja.
Estreou então "O Pior Condutor de Sempre", o meu mais novo. Correu muito bem a estreia, ainda que num dia conturbado. Honestamente, a praia é mais convidativa do que um sábado à tarde frente à minha trombinha. Audiências muito boas ainda assim. Mais uma vez, muito obrigado.
Continua "Avalanche" no Villaret, até sabe Deus quando. E mesmo ele anda baralhado com estas coisas das datas.
Por hoje encosto-me no sofá com o portátil nas pernas, e leio os vossos mails.
A noite está mais do que boa, está de braços abertos.
Abraço-a?

sábado, 15 de abril de 2006

O preço a pagar

A única diferença que separa um paparazzi de um violador, é que o violador não se esconde.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Boletim meteorológico

Suspiro a cinzento escuro, nestes dias. Tenho o céu todo a trovejar nos olhos.
É muito cinzento, mesmo para um amor daltónico. Cansa-nos a alma mal ela acorda.
Não lhe dá espaço para rasgar um ou dois vincos de riso.
Nada.
Arrasta-nos para o fundo do mundo.
Quando era (ainda) mais novo adorava estes dias. Estava intimamente ligado com o facto de não haver aula de educação fisica. E isso enchia-nos de coisas para fazer. Mesmo à custa de nunca as virmos a fazer.
Hoje em dia, mais precisamente hoje, desmancha-me. Vento, chuva e frio não alimenta muita esperança aos olhos.
Pelo menos aos meus.
Dá vontade de esconder o dia de toda a gente e esticar as pernas numa casa de janelas cimentadas.
Os dias cinzentos têm esse duro dom de descansarem uma lupa sobre o que quer que nos doa peito adentro.
A lupa é tão grande...
Que venha o sol, nem que seja por um quarto de hora, para nos lembrar que há vincos na alma.

segunda-feira, 20 de março de 2006

"O Pior Condutor De Sempre"

Começo, não tarda, a gravar um programa de televisão curioso. "O Pior Condutor De Sempre", assim se chama. Confesso que a principío fiquei de pé atrás, desconfiado na ideia de que se pretendia promover gratuitamente um mau condutor. A ideia não é essa, pelo menos de uma forma directa. Pretende-se "agarrar" em 13 maus condutores e submetê-los a uma melhora. Rir com eles, e não deles, entenda-se. Também eu não sou o melhor dos condutores. Nenhum português se assume um mau condutor, todos conduzem "benzinho" (leia-se: em contra-mão). Há sempre a probabilidade de num episódio levar uma ripada de um qualquer "bonzinho condutor" nas canelas e ficar com as pernas em U.
Quando começar a gravar deixo-vos mais detalhes.
Há fases da vida pessoal de quem vos escreve muito conturbadas e duras. Esta assinala-se uma delas.
Enfim...

sexta-feira, 17 de março de 2006

"Avalanche"


Bem sei, tenho estado ausente. Mas os motivos são bons, pelo menos para mim, confesso. Esta é a peça que me faz perder gramas e ganhar experiência nos dias que correm. Espero vê-los por lá.
Lá onde?
Villaret, de Terça a Sábado, pelas 21h30.
Apareçam.
E que nosso senhor vos acompanhe.
Ah, e aquele de cabelo muito arranjadinho...enfim...sou eu.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Ámen

Sou crente, e muito. Mas na realidade. É essa crença que me afasta do catolicismo, graças a deus.

domingo, 15 de janeiro de 2006

Portugal dos Pequeninos

Somos pequeninos, e gostamos disso. É assim que somos. Cada um de nós vive numa bolha Actimel que lhe sacode o "próximo" dos ombros. Pouco nos acorda se está alguém caído no chão, ou se estamos a 15 km/h, de charuto lambido na boca, a conduzir o nosso Jacuzzi numa faixa única de rodagem.
Nada.
Temos a boa educação a espreguiçar-se no bolso de trás das calças.
Temos medo de quem vive nesta betoneira de indiferença que é o povo português. Medo que o civismo e a simpatia nos cause febre alta e nos leve Vick ao peito.Medo dos outros "nós".
Bem sei que o tabaco mata, mas a falta de educação mói. Muito. Gabamo-nos das excepções. "Hoje um senhor foi muito simpático comigo, até me ajudou a levantar depois de me ter dado com a testa num poste". E estoiramos. Fazemos disso um fogo de artificio a ser mastigado num jantar pós-laboral.
Somos pequeninos, mas é por dentro. Nas nossas cabeças. Tornámo-nos bestas de cimento, bem cinzentas e frias, com suores que alguém nos fale na rua e nos obrigue a mostrar mais do que o cieiro. Somos demasiado importantes para quem carece de importância. Temos mais do que fazer. Não ganhamos nada com isso. Se fossem quadradinhos de queijo, ou um sumo novo de maçã e canela a ser oferecido numa mesinha ajeitada de um qualquer supermercado, aí tinhamos um ajuntamento digno de cordão policial. Acotovelavam-se caras para saciar uma sede que nunca tinha nascido. Gostamos muito de coisas dadas. Não porque gostemos ou nos faça falta, mas porque... são dadas. Se dessem frasquinhos da Vista Alegre com gotinhas de Hepatite C, estávamos lá batidos. Faz-nos crescer 5 cm e levantar o queixo do chão. O saber estar e respeitar, esse, já dói dois palmos acima dos rins. Já lateja quando muda o tempo. É melhor não mexer, que alguém há-de arranjar. Somos pequeninos, e julgamo-nos em tripés.E não me venham com merdas que é a crise. Conheço pessoas que vivem com 40 contos por mês (sim, na moeda antiga), e romperam a bolha Actimel. Todos temos os nossos problemas, doa a quem doer. Se repararem bem, ter civismo e boa educação, ainda não se paga. Há-de lá chegar, mas enquanto chega e não chega, aproveitem. Pode ser a melhor coisa que fazem por quem tropeçar nos vossos olhos.
Para compensar tudo isto, tomamos medidas, e tornamo-nos irreverentes conformistas. Dos que arrepanham um estalo num lado da face e passam Nivea na outra, para preparar o que aí vier. E revoltamo-nos... mas por acabar o Nivea.
Somos directos e fortes, mas nas mesas de café. Aí, mudamos o mundo. Elegemos presidentes, rasgamos as costas dos amigos, acendemos promessas de murros e contra-murros nas montras do "ai se fosse comigo...". Mas recolhida essa mesa, somos, uma vez mais, pequeninos. Engolimos tudo, fazemos a digestão e abraçamos o amigo das costas rasgadas. Mas fechamos os olhos, que a carne ainda está ali bem viva.
Somos inertes. Queremos que o mundo mude, mas pela mão do outro, "que hoje não me ficava em caminho".
Para a próxima passem Nivea e dêem a outra face, mas à vossa mão.
E já agora, vasculhem o bolso de trás das calças.
Acordem.

sábado, 7 de janeiro de 2006

...

Ontem vi-te, e esqueci-me de respirar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Praga, como sempre, como dantes


Que Praga é bonita, isso sempre se soube. Eu apenas descobri hoje, com os olhos, que foram quem primeiro a guardou. Frio, muito. Sente-se o corpo a resguardar-se dentro da barriga. Ainda assim, um quentinho no peito de se passear em ruas bonitas demais para olhos tão pequenos. Praga faz-nos querer rasgar os olhos para ver mais. Cheguei há uma mão cheia de horas, e por hoje deito-me no quarto de hotel, com uma vista linda, tanto para a rua, como para a cama que me abre os braços.
A propósito, ou nem por isso, um 2006 cheio de tudo o que mais pediram, que bem merecem. A verdade é que não sei se merecem, mas meti na cabeça que tinha de acabar de uma maneira bonita.
Porra... não merecem não. Esqueçam o que eu disse. E esqueçam 2006, é um número meio parvo que não faz grande sentido.
Ai a minha vida... vocês tiram-me do sério.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

"Porque deixaste de ir?"

Achei por bem, depois de assistir a várias lotarias de hipóteses, responder, de uma vez por todas (assim o espero), a esta pergunta.
A primeira vez que fui convidado para o "Levanta-te e Ri", ainda eu, e o programa, eramos anónimos. Convidaram-me no nono programa para actuar. Passada uma simpática primeira vez, continuei a ir, as vezes que me convidavam, para testar os meus textos de stand-up comedy, para bem ou para mal (que aparecer na televisão não é sinal de qualidade. Nem ontem, nem especialmente hoje.)
O minha mais comentada participação no programa, foi no aniversário da Sic, no Coliseu de Lisboa. Texto de que me orgulho muito, e actuação que em nada me envergonha. Nessa altura, o "Levanta-te e Ri" era um programa cuidado, que fazia questão de levar lá textos, também eles, cuidados. Entenda-se, sem qualquer modéstia, que tanto eu cresci com o programa, como ele comigo. Comigo e com o Aldo, Nilton, Ricardo Araújo Pereira, Fernando Rocha, (entre outros poucos) e sempre conduzido com o talento indíscutivel do Marco Horácio. Lembro-me das últimas vezes ter ido e ter pensado que não era aquilo.
O "Levanta-te e Ri" tinha mudado por completo. Por um simples motivo que defendo as vezes que for preciso: Portugal não têm humoristas suficientes para dar de comer a tantos programas. E como não têm, entra-se na deprimente engrenagem mal oleada do "vale-tudo", em busca de um novo Aldo, um novo Nilton, enfim, um novo humorista. Força-se o nascimento de humoristas, a sangue frio. Banaliza-se a comédia. Por isso mesmo, deixei de ir ao programa. E não o faço por vedetismo, faço-o por opção consciente. Não vou ao programa porque, hoje em dia, em nada me identifico com ele.
No outro dia via, num programa em que se falava do "Levanta-te", uma telespectadora a cuspir o seguinte: "Acho mal ele ter ido ao programa e depois nunca mais ter aparecido. Aproveitou para se lançar e depois esqueceu-se do programa". Minha senhora, eu não me esqueci. O problema é precisamente ter óptima memória e saber como ele era. Quanto ao facto de me ter aproveitado do programa para me lançar, digo-lhe o seguinte: Os textos, foram escritos por mim. Não devo nada a ninguém. Nada. Calculo que tenha um restaurante ao qual gosta de ir particularmente. Vai lá, certamente porque a carne é optima, ou o peixe fresquissímo. Se amanhã lá for, e o seu peixe tiver 3 semanas, ou o seu bife for uma fatia de nervos, dúvido que lá vá com a mesma alegria. E porquê? Porque é inteligente, ou assim o espero.
E agora ponho um ponto final, a seguir ao ponto final.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Sou Português

O meu bilhete de identidade, e o facto de ir agora fazer as compras de natal, não deixam dúvidas: sou, de facto, Português.
Passei ainda há pouco pelo Oeiras Parque e senti-me no Festival Sudoeste, tal era a multidão. É pavoroso. Mete medo. E mete ainda mais saber que sou um deles. Também eu só agora vou escolher o que podia ter escolhido ha 364 dias atrás. Filas e filas de trânsito, com promessas de "para o ano não volto a cair nesta". E o "para o ano",esse, nunca mais chega.
Vou então fazer as compras, que só hoje me convenci. Consegui sobreviver à tentação de deixar para dia 24, vou hoje, dia 23. Como os adultos. Também eu já sou crescido.
Agora saio, rumo às tantas outras pessoas que se arrastam, ou são arrastadas, pelas montras que mostram ansiedades.
E para o ano, não volto a cair nesta.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Copy Paste

"Gosto tudo de ti", escreveu António Lobo Antunes, e repito eu.

...

Ai o circo, o circo...

domingo, 11 de dezembro de 2005

"Antes Eles Que Nós", o fim?

Desde já, o meu pedido de desculpas pela falta de posts novos. A vontade é muita, o tempo, muito pouco. Ainda assim, queria dizer-vos que ontem terminámos a temporada da peça "Antes Eles Que Nós", no São Luiz. Correu muito bem, o público encarregou-se de fazer correr ainda melhor. Muito obrigado, respeito-vos do fundo do meu coração. Por isso mesmo,e num momento de pura embriaguez, o São Luiz convidou-nos a ficar também Janeiro.
E nós, tudo bem.
Assim sendo, quem ainda não teve oportunidade de ver, terá agora. Os bilhetes julgo já estarem disponíveis nas bilheteiras do próprio teatro. Despeço-me dos 6 graus que hoje me aquecem o corpo, e me fazem tilintar os pés.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Porque hoje me senti especialmente feliz...

Tropeço-me de cansaço. Muito mesmo. Ainda assim, vou abrindo os olhos para ter noção do que me rodeia.
Conheci Carlos do Carmo. Para muitos isto não passará de uma frase. Para mim, são várias e várias horas de ouvidos deliciados e coração a ritmo de contrabaixo. Ter a oportunidade de conhecer pessoas que admiramos e ainda receber elogios, deixou-me pequenino, ainda mais do que o normal.
Cantou a dois metros curtissímos de mim, e ainda assim, eu estava em casa, como hoje, como sempre, a ouvi-lo.
O fado pode ser transportado por várias vozes, disso, não há sequer dúvidas. Mas só poucas, o conseguem transportar pelo filamento que nos deslumbra um baque no centro do peito.
Guardarei o dia de hoje num livro de memórias talhado a orgulho.
"...essa voz que canta a palavra e nos vem dizendo a musica...", disse José Saramago, e digo eu.
Porque hoje me senti especialmente feliz, quis partilhar com vocês.
E agora oiço Carlos do Carmo, e sorrio.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Cozinhas

Aproveito os entretantos do tempo, para vos dizer que... quando encomendarem cozinhas no Ikea... não as tentem montar sozinhos. A sério, há lá gente especializada, que diz que até fizeram cursos na Suécia. É malta que faz daquilo a vida. Confiem neles.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Muito obrigado.

Num momento que antecede a minha bela cama, que tanto me olha, decidi passar pelo computador, para agradecer a todas as pessoas que têm passado pelo Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, e o têm esgotado. A todos vocês, um muito e muito obrigado.
Seria cliché dizer "sem vocês, nada disto seria possível".
Por isso mesmo, sem vocês, nada disto seria possível.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Não custa nada

Lembrem-se sempre de uma coisa. Sempre. É simples, nada de complicado. É até bastante simples. E é o seguinte... Acompanhem-me:
Está frio. Chove. Está portanto frio e chove. A vontade de sair é muito abaixo da média Europeia. Há até comida de sobra no frigorífico, dispensa, e outros sítios onde guardem comida. O Bruno (este que vos escreve), não tinha vontade de cozinhar. Estamos portanto num panorama de frio, chuva, comida a barrotes, mas falta de vontade de a tornar comestível.
Ideia: Encomendar comida japonesa.
Portanto: frio, chuva, comida a barrotes mas falta de vontade de a cozinhar, e comida japonesa ao domicílio. Fiz então a encomenda (e uma bela encomenda, diga-se entre parêntesis).
"Vai demorar 40 minutos", diz o senhor brasileiro. Brasileiro...Japonês.
Tudo faz sentido.
Deitei-me no sofá, e enquanto deixava a televisão ir contra os meus olhos, sonhava na melhor maneira de comer um belo Uramaki, Sashimi, entre outros.
Uma coisa meio doentia, mas que se usa muito no estrangeiro.
Passados 30 minutos, estavam os meus pés quentinhos, e a chuva a dizer "oh bruno, anda lá cá fora que eu digo-te" e...
enfim...Lembrem-se sempre de uma coisa. Sempre. É simples, nada de complicado. É até bastante simples. E é o seguinte... quando encomendarem comida para entregar ao domicílio, lembrem-se que têm de ter dinheiro em casa. A sério, lembrem-se.
Não custa nada.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Coçar Onde É Preciso


Acabei de sair da peça "Coçar Onde É Preciso", do José Pedro Gomes.
A coragem de estar cerca de uma hora e meia, sozinho, frente a frente com um público disposto a tudo, não é, nem nunca será coisa fácil. Estar cerca de uma hora e meia e fazer disso um belo espectáculo, ainda mais. Aconselho a todos os que tiverem disponibilidade e vontade de ver coisas boas, que cada vez são mais raras. Porque o que é bom deve ser falado, "Coçar Onde É Preciso", até 18-12-2005, Quarta a domingo às 21h30, na Casa do Artista.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Finalmente...

Finalmente, assaltaram-me o carro. A ideia já era antiga, concretizou-se sexta-feira, quando tudo acontece. Era comum deixar casacos e valores pessoais (alguns deles impessoais), no banco, mala, etc. Sempre achei que o meu carrinho deveria andar composto caso surgissem visitas inesperadas. Não queria que alguém entrasse janela dentro e encontrasse só uma garrafa semi-violada de óleo para o motor e um triângulo de sinalização. Acharia de muito mau gosto. Enfeitei então a bagageira com um Ipod Nano, carteira com respectivos documentos, casaquinho novo, e tudo o que um bom espectador automobilístico anseia. Deixei toda uma viatura decorada, limpinha, e fui à minha vida, que o Bairro Alto já deambulava rouco, de tanto me chamar.
Voltei 3 horas depois, pé ante pé, para o caminho ser mais calcado. Esquina dobrada e encontro o meu querido automóvel (que deus o guarde em descanso), com uma fractura exposta no vidro do passageiro. Sorri, gritei ao mundo a felicidade de alguém se ter lembrado de tal simpatia, e depois limpei, nervo a nervo, o puzzle de vidro temperado que jazia no banco. O meu bilhete de identidade, entre muitos outros documentos da mesma entidade, andam de portugal em portugal até sabe deus (e nem mesmo ele) quando.
Sexta feira, 4h da manhã, 11 graus, e eu, era o único valente a deslizar uma Marginal de janela aberta.
Parte direita do meu corpo paralisou.
Aguento-me então com um pulmão, e um braço esquerdo que se têm portado bem que é uma coisinha parva.
Hoje, o meu carro têm uma decoração mais minímalista, mas com muito, muito bom gosto.

domingo, 6 de novembro de 2005

Televisão, a cores.

Há semana e meia atrás, num qualquer estúdio de televisão, um produtor abraçou-me e cuspiu-me: "epá, Bruno! Ainda bem que te encontro. Ainda ontem estive na Sic e quando me disseram que tu ias assinar contrato eu disse logo: porra! esse gajo é insuportável, espero nunca ter de trabalhar com ele porque diz que tem um feitio insuportável! O puto é vedeta como tudo... (fim de citação) Mas olha, agora que te encontro aqui estou arrependido, és um gajo impecável! Desculpa lá!"
Tudo isto se passou com um abraço, um sorriso nos dentes, e uma faca bem afiada a ser arrancada discretamente das minhas costas.
Trabalhe-se em televisão e toda a gente nos conhece. Toda. Mesmo quem nunca nos conheceu. Todos segredam o nosso feitio, porque "ouvir dizer...". Todos afirmar com quem fomos para a cama, que somos drogados, que somos maus colegas, que dúvidas não há porque "estava na revista" Todos, menos os que nos conhecem. O senhor do café, do quiosque, do supermercado, taxista, todos, mas todos sabem e carregam a nossa vida, gota a gota. Chegamos às pessoas já com uma biografia bem traçada, e pouco há a fazer. Só depois se dão ao trabalho forçado de conhecer quem tão bem conheciam. Se somos tímidos e não sorrimos entramos no separador de "antipáticos", se sorrimos demais é porque estamos drogados, se partimos um copo num restaurante é porque "temos a mania", se não o partimos... também temos. Somos vistos com o dobro da intensidade, mas só para o mal, que para o bem a lupa não está lá. Porque só as histórias más aconchegam o estômago à noite. Anteontem no bairro alto, um sem-abrigo caíu e torceu o joelho. Ninguém o olhou por um segundo sequer. Sete olharam para mim, para ver se eu o ia ajudar ou não.
Para quem diz que aparecer no "quadradinho mágico" é só coisas boas, desenganem-se. As más, só se apresentam depois.
Hoje, deito-me de barriga para baixo, e deixo estancar mais um história nas minhas costas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

"Oh Bruno..."

"Oh Bruno, estás mais magro!"
Nunca uma frase tocou tanto no meu leitor de cd´s.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Quente, mas frio

Começa, então, o frio. Parece-me bem. Verdade seja dita que depois de hoje me ver, a mim próprio, a dar 400 euros ao Sr. Carlos de Olhão na Àrvore das Patacas, já tudo me parece bem. É verdade, eu girei toda uma Àrvore das Patacas, sem medo, com muita confiança, que só assim se gira uma àrvore daquelas.
O frio aconchega o corpo. Faz-nos mais aconchegados a quem queremos aconchegar. Faz-nos querer aconchegar a pessoa paredes meias com o nosso coração,até estalar os ossos, e ainda assim insistir. Ontem comi castanhas no Chiado. Quentes, e de facto boas. Começa toda a gente a fumegar pela boca, a guardar os pescoços em lã e mais lã, até ficar só uma cara de frente para o mundo. Lareiras, um pouco por todo o país, começam a pedir madeira e mais madeira, tal é a fome de aquecer. As canecas enchem-se de muitos chás, dispostos a quase tudo para queimarem uma língua, que tão bem deve ser usada. Essa mesma língua, pede ao chá que este a queime. Que só assim se inicia o inverno no corpo.
Seis da tarde e já a noite se senta à mesa connosco. Anoitece cedo demais para quem gosta de luz. Anoitece cedo demais mesmo para quem a detesta. Anteontem comprei lenha, ontem comprei castanhas, e hoje, espero ansiosamente que a água ferva. A minha língua pernoita irrequieta.
Queimo-a?

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Ressaca

Está estreado. A casa estava cheia, mais do que como um ovo, bem mais. Estava nervoso, muito, confesso. Raramente o estou, mas sexta feira estava. Quando falta uma hora para começar, pensei que não era nada daquilo que eu queria. Queria a minha mãe, o meu sofá, estar debaixo da roupa da cama, tudo, tudo, menos ser actor. Os nervos da espera para entrar rouba anos de vida, e connosco a assistir a tudo. Mesmo. Sentimos o sistema nervoso a picar o ponto e o estômago a cimentar. Tudo. Pensamos que até partir um pé naquele momento era mais reconfortante do que despir, peça a peça, a alma, para 200 pessoas.
Ao atravessar as cada uma das pessoas no Jardim de Inverno, para chegar ao palco e dar inicío à peça, apercebi-me que não há privilégio maior do que ter olhos e peitos dispostos a pagarem para te ouvir. Não há. Um palco é de uma força impressionante. As luzes num palco mudam, a maneira como vêmos as coisas, muda. Mudamos também nós, torna-mo-nos ainda maiores. O palco põe uma gigante lupa sobre tudo o que nos dói ou sorri.
Hoje ainda ressaco, tal é o arrombo dessa lupa. E ouço Camané. Não há nada como a nossa casa. Nada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Hoje, 23h30

É hoje. É nestas alturas que qualquer actor pensa "porquê?... com tanta profissão jeitosa..."
Não é medo. Não são nervos. É tudo. Um cocktail atestado de tudo o que contrai músculos e que assim os deixa. Pais, amigos, imprensa, pessoas que respeitamos, enfim, todos, de tudo um pouco, hoje, para verem "o que ele tanto andou a fazer no último mês e meio".
Acabo de tomar banho, ouço Maria João e Mário Laginha que de alguma maneira me tentam acalmar, mas em vão. Todo um texto da peça que fazia sentido na minha cabeça, hoje aparece com parágrafos trocados. Congestionado e com febre, que ajuda sempre um bocadinho, olho uma última vez para o texto. Tenho de ir, ainda há uma estrada para fazer e um carro para estacionar. Hoje às 23h30, estreia-se mais um medo. Hoje, às 23h30, cresci como actor.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

"Antes Eles Que Nós"



Estréia então dia 21 de Outubro. Apareçam.

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Cartaz das Artes

Amanhã, Clã no Santiago Alquimista, e eu amarrado ao Teatro Municipal São Luiz.
Vão todos, que concertos destes não se perdem de ânimo leve. Vão e gritem-me o que acharam.
Novo cd de Clã ao Vivo... chora-se quando se sofre de tanto sofrer, ou quando nos sentimos tão bem que recorremos às lágrimas para nos ajudarem a estancar o sorriso parvo. Este cd equilibra-nos entre os dois. Agradeço-vos.
Também o meu bom amigo Pedro Ribeiro, que eu tanto respeito e admiro, estreou as suas "Conversas Ribeirinhas" na Sic Radical, de 3ª a 6ª, às 20h. Porque cada vez são menos os programas que nos merecem à frente da televisão, não deixem passar este.
Despeço-me assim de mais um Cartaz das Artes, até p´ra semana.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

É melhor ir dormir...

Regressei ontem do Porto. Lá, cruzei-me com o Manuel Luis Goucha.
Tive medo.
Falta então, uma semana e meia para a estréia da peça. A dor de estômago não me deixa mentir.
Tudo corre bem, menos o tempo. Esse corre bem demais. Um grande bem haja à Anabela Baldaque, que nos vai vestir, e investir, nesta peça. O cansaço começa a levar a melhor, ainda que devagar. Sei-vos dizer que nestes últimos dias dormi uma módica quantia de 7 horas. A certa altura cheguei a ver elefantes a dançarem em cima de lâmpadas de halogénio. Ou se calhar era só o sono. De qualquer das maneiras, tinham uma coreografia espectacular, as lâmpadas.
Durmo enquanto vos escrevo. Olho para a televisão e vejo o Cláudio Ramos a falar da roupa que não sei quem levava ao aniversário da Sic. Espero que seja ainda do sono.
Há de facto pessoas que mais valia Nosso Senhor levar. Outras que mais valia Nosso Senhor mostrar a porta do Trumps.
Esforço-me para dormir, mas é pior. Quanto mais se quer dormir, menos vontade nos dá.
Sou um fã da Tertúlia Côr-de-Rosa. Acho que pode dar idéias à Al-Qaeda.
Sonho com o Cláudio Ramos e o Daniel Nascimento a dançarem Forró em cima de uma coluna. Acho que fazem uma dupla espectacular, têm imensa presença.
É melhor ir dormir.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

É da família


Porque uma imagem vale mais do que mil sentimentos. Aqui fica, é sobrinho aqui do próprio que vos escreve, é lindo de morrer, e já anda.
Contra tudo e todos, mas anda.
1 ano, poucos dias, e um sorriso lindo depois, aqui está ele.
Ah leão!

sábado, 1 de outubro de 2005

Chama-se: Folga

Enfim, um dia de descanso. Os ensaios correm a passo apressado, com a estreia já a espreitar da janela 21 do mês de outubro. Aproveito para não fazer nada...e que bom que isso é. Regra quase geral, as pessoas ao fim de semana enchem-se de "tenho de lá ir" para segunda-feira dizerem a toda a gente o quanto "lá foram". Correm, gritam, esperneiam, passam cartões multibanco em lojas que as vão fazer chorar. Eu sento-me, e escrevo-"as".
Acompanho de longe as obras da minha casa, e penso que tanto cimento junto refazia, sem problemas, a cara do Ferro Rodrigues. Seria um orçamento diferente, isso sim.
Nunca imaginei que houvesse tanta variedade de sanita. Nem de torneiras. Nem de bidés. Palavra. Há lojas só de bidés e sanitas. Isso, só por si, é bonito. Hoje olho para uma sanita com muito mais respeito. Sei que ela teve de lutar para estar ali, eram muitas a querer o lugar. A minha sanita é feliz. Ontem trouxe-a como quem carrega um filho nos braços.
Ouço o empreiteiro cansar-me os ouvidos. Faço-lhe "mute", e vejo como está a fino que se está a tornar a casa. Tiro-o do "mute" e digo: Esta bancada queria-a com 1 metro e 10. "Então mas você não acha... (mute)"
Desconfiam muito de gostos diferentes. Tive de o convencer de tudo o que queria remodelar, para ele não amuar, e não pedir um tempo à nossa relação.
Cumprimento o colega dele, moldavo até ao passaporte. Ele fica a olhar para mim, não mexe.
Estico-lhe a mão. Ele não. Recolho a mão. Ele não.
No fim deste mês já lá devo morar, assim queira o Sr. Moldavo, o maneta.
Posto isto, carrego no ponto final, e estico-me, para apanhar mais aquele bocado de sol.

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Pela boa música

Há poucos músicos em Portugal (país da Europa), que me fazem vibrar. Não sou muito esquisito, mas no que toca a músicos, gosto que eles façam música.
Exigente.
Ouço Camané enquanto escrevo a frase "enquanto escrevo a frase", e apercebo-me o quanto é bom ouvir boa música. Há músicos e músicas que me dão raiva, de tão bonitas e bem compostas que são. Palavra.
Sérgio Godinho escreve o que quer como ninguém. Ou melhor que isso, se assim o quiser. Escreve, ponto.
Manuela Azevedo existe num palco, e fora dele, com o dobro do tamanho com que foi aconchegada no mundo.
Belle Chase Hotel (agora Quinteto Tati), Jorge Palma, Carlos do Carmo, António Variações.
Faltam muitos, bem sei. Mas sintam-se abraçados os bons.
Os maus também, mas com menos vontade.
Bom e mau gosto não se discute, definitivamente. Também o meu é duvidoso.
Comprei hoje um cd da Ana Malhoa. Arde que é uma coisinha parva.
Canta-se Português em Inglês, e não vejo especial problema nisso. Cantar Português em Português ainda custa.
Português bem cantado bate aos pontos o dialecto mais rico de qualquer país.
Hoje, sento-me no sofá e ouço música, daquela arquitectada em notas que nos entram bem para além dos ouvidos.
Hoje, sento-me no sofá e ouço, tão simplesmente, música.

Menino Tonecas


Alguém têm de dizer ao Menino Tonecas que com 50 anos já não devia falar à puto. Fica um nadinha seníl... O meu avô fez isso há muito tempo, e na semana a seguir andava a atirar máquinas de café contra um mocho, e a dizer que "ele sabia coisas demais".
A sério, só uma chamadinha ao Senhor Luis Aleluia...

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Só mais um link

Porque o que é bom merece ser visto, Ricky Gervais, um grande, grande senhor. Vejam os videos, vale a pena. Ou não façam nada. Fica a sugestão.
Cumprimentos.

sábado, 17 de setembro de 2005

Vai uma aposta?

Merda, esqueci-me de ir à festa dos 10 anos da Caras... o que é que vão pensar de mim?
"Acompanhámos a entrada de todo este hollywood à portuguesa", dizem agora, no fim da emissão. E eu aqui. Em casa. Até gente da Argentina veio, e eu, nada.
Eu, aqui, sozinho, a ouvir o cd da Dulce Pontes e a pensar quem lhe deu tanto murro para ela gritar assim. Pensava que gravar um cd em estúdio era mais pacífico.
Gosto de ir a festas sociais quando a Maya vai, porque mesmo que ela não diga em que lugar do ranking está o meu signo, pelo menos sei que estive perto de uma cabeça sem-abrigo.
Estar desempregado ou "aparecer" na televisão hoje sabe ao mesmo, há sempre dúvidas sobre o que pôr na ficha do médico onde pergunta:
a)Profissão__________
Deixei de ir ao médico.
Fazem muitas perguntas.
Fui lá para me queixar, se soubesse que era preciso responder a tanta coisa tinha alugado uma casa em Elvas e acampado perto dos Jerónimos. Não gosto é de colégios.
Enfim, gostos parvos, os meus.
Entristece-me a "televisão", não apenas porque sim. Mas porque dói-me ver tanta gente com talento desempregada. Actores, apresentadores, humoristas. Muitos, mesmo. Conheço-os, tenho o contacto deles. São sub-aproveitados. Somos pequenos demais para nos darmos a esses luxos tão grandes.
Deixem-se de merdas.
Ter mamas ou um cabelo bem tratado não é, nem nunca foi, sinal de talento.
Se calhar não moram na Quinta da Marinha.
Mas têm génio. Puro.
Não suportado por alicerces de açúcar.
Dói-me ver uma passerelle de futilidades e assistir impávido e sereno. Devia deixar passar e preocupar-me com outras coisas. Com esta dor de cabeça que não me larga há 2 dias, com a conta da EDP que ainda não paguei, com a falta de leite e manteiga que me acompanha.
Enfim, nada de novo.
Um dia havemos de perceber o que estamos a perder.
Vai uma aposta?

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Muito sono

Então foi assim: quarta-feira tocou o despertador, eram 7h da manhã. Fui a umas gravações, segui para o teatro para ensaiar, e deitei-me eram 3h da manhã.
Hoje, o mesmo despertador tocou, uma vez mais, às 7h da manhã. Uma vez mais fui a umas gravações, uma vez mais segui para o teatro, e uma vez mais são 3h da manhã.
Há 15 minutos fiz uma boa acção.
Vou agora buscar uma vassoura e uma pá, que os vidrinhos e os ponteiros ficaram espalhados pelo quarto.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Estrela da Tarde

A letra é de José Carlos Ary dos Santos, e a voz, emprestada por Carlos do Carmo.
Mais do que um poema a rasgar os limites do bonito, é muito, muito mais que isso. Faz parte do lote de músicas que me faz dar mais uma volta ao quarteirão antes de estacionar o carro, só para chegar ao fim com ela.
E reza assim:



Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

domingo, 11 de setembro de 2005

A todos os condutores


Pensei, pensei e cheguei a uma conclusão, que a meu ver, parece justa.
Todos os carros, que circulem a menos de 100 km/h na faixa da esquerda de uma auto-estrada, deveriam, em jeito de automático, explodir. Perder-se-iam algumas vidas, é certo, mas é melhor assim.
A estupidez de alguém, que com duas faixas vazias à sua direita, insiste em lamber vagarosamente a da esquerda, é meritória de um belo dispositivo no banco de trás que detone automáticamente. Ninguem sofreria, nem o próprio condutor.
Minto, sofreriam um bocadinho. Uma bomba ainda faz dói dói.
Mas tem de ser assim, não me levem a mal, sou um mero mensageiro.
A ideia é simples e querida de dar beijinhos. Cada condutor, pela manhã, seria munido de um palestiniano, que estaria sentadinho no banco de trás, com uma mochila toda janota.
P.s.- Este senhor palestiniano é: bom moço, lavadinho, com uma camisa apertadinha até cima, para resguardar o peitinho de correntes de ar. Mas danado para a brincadeira.
Depois o processo seria limpinho e eficaz. O condutor, como sempre, metia uma abaixo e mudava para a faixa da esquerda e mantinha-se nela a 90 kilometros/mortíferos.
Em seguida escutaria um ligeiro "click" dentro do carro, olharia de imediato para o conta-quilómetros, e morreria a meio de um "oh cabrão guarda a mochila, ai cum car...! (PUUUUMMMMM)
Deus os guarde em descanso.
O Sr. palestiniano teria nas suas doces mãos uma camara de filmar, daquelas resistentes, assim tipo... resistentes, cuja cassete seria posteriormente aproveitada, para acompanhar aulas de condução e mostrar aos alunos o senhor Antunes a estoirar.
E também o Sr. Palestiniano a dizer adeus para a camera.
Outra solução, também baratucha e práctica, seria a de qualquer condutor que fosse obrigado a ultrapassar pela direita, ser subsidiado de uma caçadeira daquelas de matar patos, e alguns cartuchos. Ultrapassaria pela direita, mantinha a velocidade de cruzeiro do condutor à esquerda, e tinha direito a dois tiros. Um nos joelhos para desiquilibrar a velocidade e posteriormente num dos braços, só porque é giro.
O leitor deve estar a pensar "epá, que exagero! morrer? é preciso tanto!?"
Realmente não. Mas vai ter que ser.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Pequeno conto infantil

Era uma vez, um menino que foi à caixa de correio,
E lá encontrou uma carta que dizia "EDP".
Abriu-a, olhou para a parcela que dizia "valor a pagar", e disse assim:
"Foda-se!!"


Fim.

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Curiosidade

Ontem, numa conversa pós-ensaio num qualquer restaurante lisboeta, disseram-me: "sabes de que é que morrem a maior parte das girafas? Morrem no parto, porque quando caem para ter o filho, a queda é muito alta, e partem o pescoço."
Hoje em dia, ando com muito mais cuidado.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Despertares

Acordo, e ligo automáticamente a televisão. Nela está a Maya, no Sic 10 Horas, a dizer que os signos não sei quê. Termina toda contente. "Ah, Fátima, não sabes tu o que é que eu te tenho para contar na Tertúlia Côr-de-Rosa!" Diz a Fátima que "não! ora diz lá!" Responde a Maya: "Ah pois! A Ruth Marlene, que o nosso público tanto adora, têm um novo namorado! O único senão... é que é dono de uma casa de Strip! Ah ah ah".
Riem-se. Dizem que há namorados melhores. Com certezas, que estas mulheres sabem. A facilidade com que se agarra numa revista e se fala, com ar diplomático, das vidas de toda a gente, repugna-me. Há pessoas cuja "profissão" é mandar postas de pescada sobre tudo o que aparece nas revistas. Eu chamo-lhe "desemprego".
Hoje em dia, vende-se o dizer mal por dizer. Dá audiências. O público gosta.
Enxovalhar alguém, em praça pública, sempre vendeu, sempre venderá. Mas quando se torna banal e forçado (sim, porque tem de haver forçosamente sobre o que falar), é só uma máquina para arquitectar audíências. E quando assim é, caro leitor, é só falta de bom gosto.
Irrita-nos a todos: sair do prédio e ter vizinhas (daquelas vestidas de preto, reformadas), a falarem umas com as outras sobre os barulhos que ouviram em nossa casa na noite passada, e a até que horas as visitas ficaram lá em casa, e se tinham piercings, se não tinham, e o raio que as parta ao meio. Isso, irrita-nos muito. Mas se essas velhas, estiverem num programa da manhã, e despedaçarem a vida do próximo... isso, já nos aconchega mais a alma. Já dá vontade de ir buscar umas bolachinhas de canela e ver alguém ser abalroado na tv.
Enfim, há programas, que mais valia Nosso Senhor levar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Orçamentos

Hoje acordei às 9h da manhã. Palavra de honra que não sabia que haviam pessoas e bichos a essa hora da madrugada. Ainda assim, arrisquei. Objectivo: Orçamento para obras em casa, uma coisa sempre gostosa, essa dos pedreiros. Falo com o meu pai:
Eu-Olha que se me conhecerem por alguma razão, sobem os preços porque julgam que ganho fortunas.
Pai- Não te preocupes filho, é gente séria.
Eu- Então fazemos assim, hoje vou eu com o empreiteiro fazer orçamento, amanhã vais tu com outro, para ficarmos com uma idéia.
Pai- Tá bom. Queres ir almoçar?
Eu- Vamos.

De facto o homem era uma jóia de pessoa, muito simpático, até tinha passado a camisa a ferro, e tudo. Perguntei-lhe se teria a casa pronta em 2 meses. Que sim, que até antes disso. "Nem vai ter tempo de dizer uma piada, pá!" Ri-me. Por simpatia, só. Insistiu:"Sabe que eu tambem me farto de fazer rir os meus amigos, é cá com cada uma que eu invento!" Ri-me. Por vergonha alheia. Há essa necessidade de as pessoas acharem que têm de ser engraçadas perto de humoristas. Tornam-se camaleões da profissão do próximo. Quando estou com muçulmanos não me faço rebentar. Este senhor estoirava-se em 2 tempos. Mas antes dizia "sabe que eu tambem me farto de fazer explodir vizinhos meus, é cada esguicho de sangue!"
Enquanto via a casa não parava de dizer "isso é simples, é baratinho. trabalho com homens que sabem o que fazem, gente dura."
Despedi-me do senhor.
Enquanto me apertava a mão, disse: "Tem graça, julgava que era mais alto".
Respondi: "Tem graça, eu não".
Riu-se muito. "Só você pá!".
Fechei a porta, respirei fundo, e liguei ao meu pai.

Moral da história:

Orçamento com o pai- 11.000 Euros
Orçamento com o filho- 35.000 Euros

sábado, 3 de setembro de 2005

SOS Lisboa

Lisboa está infernal. Hoje demorei-"me" uma hora, do Campo Grande até ao Marquês de Pombal, às15h. Entenda-se que nem a pé se demora tanto.
A cidade começa a ficar muito pequena para tanta cidade.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Descansem os olhos

Vi neste blog de um amigo e resolvi partilhar com vocês. Descansem lá os olhos, vão ver que vale a pena. Façam o favor de entrar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Orgãos, precisam-se

Nunca os meus intestinos se chatearam tanto comigo como hoje. Leite creme e sumo de laranja. Nunca, mas nunca em toda a vossa vida, comam leite creme quente e a seguir bebam sumo de laranja fresquinho. Prometam-me isso. Nunca. É de uma violência que só tinha visto semelhante num documentário sobre focas bébés, na Dois, há algum tempo. Os outros documentários da Dois sempre os achei com o fim muito repetitivo: "Bruno, anda prá cama".
Sempre ouvi dizer que suminho de laranja fazia bem. Os meus intestinos não. Há qualquer coisa de muito estúpido em querer Leite Creme quentinho e sumo de laranja fresquinho depois, bem sei. Mas ter orgãos do meu próprio corpo a decomporem-se por causa de um mal entendido, é duro. Sempre achei que os intestinos e o cérebro, tivessem uma espécie de Walkie Talkie para saberem um do outro. É no fundo, para isso que mantenho vivos todos os meus orgãos, para me avisarem quando acharem que os meus intestinos estão a instalar um simulador de Nagazaki, para PlayStation2. Fiquei triste, confesso. Julguei-os mais unidos entre eles. Mais alerta. Nem um fígado se deu ao trabalho de me dar um toquezinho. Nem um rim. Nada. Ficaram todos imóveis, a ver-me ingerir à bruta contentores de explosivos.
Deixei de confiar neles. Tou farto deles.
Havia desenhos animados em que os orgãos eram todos amiguinhos, lembram-se? Pois bem, são uns cabrões. E é bom que as crianças percebam isso desde novinhas, que a qualquer momento, quando pensarem que o xixi está a correr bem, um rim entra em combustão instantanea.
Agora como torradas e bebo chá.
E gemo.

Life Aquatic



Acabo de ver The Life Aquatic With Steve Zissou (Um peixe fora de água), e constato mais uma vez: O Bill Murray, é, de facto... grandioso.