sexta-feira, 27 de março de 2009

Um Almodóvar para todos

Ora aqui está uma bela notícia.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Mói

Porque é que alguns meios de comunicação se apropriam dos meus textos do blog e depois fazem uma receita deles com ingredientes diferentes dos originais?
Uma dica: Control C e depois Control V.
Chama-se "Copy Paste" e normalmente funciona em computadores com personalidade moderada.
Porra.
Não mata, mas mói.

terça-feira, 24 de março de 2009

Será?


Muito se fala sobre o estado de saúde do actor Joaquin Phoenix, depois de ele ter aparecido no Late Show do David Letterman aparentemente apático e monossilábico.
Fisicamente está completamente alterado, isso também.
Decidiu deixar de representar e dedicou-se inteiramente ao hip hop.
Agora, será que sou só eu que acho que não passa de uma personagem extremamente bem estudada?
Ou os americanos acreditam de facto que é algo mais?
Eu chamo-lhe marketing, mas posso muito bem estar enganado.
Decidam vocês:



David Letterman com uns timings de entrevista geniais.
Com destaque para um momento brilhante no fim do programa em que diz "Joaquin, i´m sorry you couldn´t be here tonight".

"O Bom Português"

Sou um fã do Vasco Santana.
Já era moderno à época, e hoje em dia mantém essa frescura e genialidade intactas.
Não é coisa fácil.
Está até bem mais próximo do impossível.
Comprei uma caixa comemorativa dos grandes clássicos de cinema português onde vinha também incluído um documentário sobre a vida e carreira do Vasco Santana.
Fiquei a entender um bocadinho mais daquilo que ele representava na altura, mas recomendo vivamente que revejam os clássicos do cinema português.
Há qualquer coisa que se perdeu nos dias de hoje, quando se vê um filme português.
A vontade continua lá, assim como o reconhecido talento de alguns actores e realizadores.
Mas a pureza de contar uma história para TODO o público ficou algures pelo caminho.
Perdeu-se a simplicidade.
Ganhou-se a complexidade que é muitas vezes confundida com inteligência.
E uma coisa que nunca hei-de compreender: porque raio é que insistem em fazer filmes nacionais quase às escuras, onde mal se vê o actor e ainda menos se ouve o que ele diz?
Pode parecer impressão minha, mas até na época do preto e branco os filmes tinham mais luz, e o som estava todo lá.
E para todos.

sábado, 21 de março de 2009

Sim sim

Assim que vem o bom tempo vem também um grupo de pessoas que diz: "sim sim, mas parece que já deram chuva para amanhã".
Porquê?
Porque é o nosso fado.

terça-feira, 17 de março de 2009

Coiso.

Meus caros amigos.
Olá aos três.
Peço alguma desculpa pela minha ausência mas estive no Porto a trabalhar e só hoje parei um bocadinho para saber como é que vocês estão.
E então, como é que vocês estão?
Espero que bem.
Se tiverem mal já sabem que não é o tipo de coisa que me faça deixar de dormir, mas tomarei nota na minha agenda logo a seguir a "cortar as unhas dos pés".
Serve o presente post para vos dizer que a estreia da terceira série de "Os Contemporâneos" foi adiada para dia 3 de Maio.
Por nada de especial, simplesmente por questões de grelha da RTP.
Amanhã teremos reunião de equipa para trocar ideias para o programa.
Depois dou-vos novidades, dentro do possível.
Despeço-me com relativa amizade, tá bom?
Óptimo.

sábado, 14 de março de 2009

Entrevista central

Minha.
Hoje, na revista Tabu do semanário "Sol".

quinta-feira, 12 de março de 2009

Em piloto automático

Com a cabeça em papa.
Amanhã apresentação de uma Gala em Santarém.
Cedo.
Sábado espectáculo para uma empresa no Porto.
Também cedo.
"Comédia" e "manhã" não nasceram para povoar a mesma frase.
Há ainda os nervos no dia anterior, que não ficam mais discretos com o tempo.
E uma semana alucinante que se avizinha.
Cansa, mas não trocava por nada.
Nada.

terça-feira, 10 de março de 2009

Um pequeno nada

Ler o jornal numa esplanada.
Coisa simples, mas com o sol a bater valem por muito.
E assim foi.
Que o bom tempo fique pelo menos uma semana, para lembrar o corpo que vale a pena.
Está a contar.

quinta-feira, 5 de março de 2009

É o vento


As árvores dobram-se e voltam a si.
Insistem com as unhas ancoradas na terra para não perderem a morada.
Para mais do que isso falta-lhes a força.
Pessoas a apertar casacos no peito.
É sempre aí que apertam, com medo que fujam de lá as memórias penduradas por arames velhos.
Já foram bons, falta-lhes a manutenção.
Arrumam os cabelos no ponto de partida para eles começarem de novo um improviso nervoso.
Os cães ladram uns com os outros, entendem-se como podem.
Há folhas a serem empurradas rua abaixo até adormecerem junto a uma parede, onde lhes acaba a imaginação.
Contentores do lixo tentam fugir às escondidas de quem os vê.
Os semáforos abanam a cabeça a quem lhes pergunta as regras.
Os pássaros arrumam as asas em ponto morto e deixam-se levar para onde não querem.
É o vento a gritar o que pode, a organizar ideias até lhe faltar o ar.
A coreografar a terra com passos largos.
E é sempre assim.
Desarruma-se o mundo para depois se orçamentar quanto custa desarrumá-lo no sítio.
Faltarão coisas.
Mas as melhores nunca mudam de lugar.

"Estás aqui para ser feliz"

Vi no blog do meu querido amigo Pedro Ribeiro, mas não pude deixar de o colocar aqui também.
Anúncio da Coca-Cola.
Extraordinário.
E mais uma vez comovi-me feito um parvo com a idade deste senhor que vão ver.
Envelhecer com qualidade é a melhor coisa do mundo.
Vejam esta ideia maravilhosa:

terça-feira, 3 de março de 2009

Regresso

Vai voltar?
Vai sim senhor.
O quê?
"Os "Contemporâneos".
Dia 19 dezanove de abril voltamos à Rtp 1 para mais uma série.
A primeira reunião para discussão de ideias será dia dezoito deste mês, assim que tiver novidades digo-vos.
Quer dizer, escrevo aqui, não vou porta à porta dizer pessoalmente.
Ia de muito boa vontade, mas tenho uma bacalhau no forno e não quero arriscar.
Para já posso apenas dizer que tenho saudades de pontapear o Manuel.
Tive com ele na sexta-feira, no fim do espectáculo "Os Produtores", mas no meio da Avenida da Liberdade perde-se um bocado aquele som da pancada seca no estômago.
Estava lá um paparazzo, podia ter aproveitado.
Entretanto, uma preciosidade que me chegou deste blog, com o sugestivo nome "Panisgas nas Caldas", que dá ar de colecção infantil:



Dois rabicinhas mascarados de panisgas.
A ideia de ver duas pessoas sentadas num sofá e uma virar-se para a outra e dizer: "já sei, vamos de panisgas!", é extraordinária.
Dito e feito.
Até no tamanho acertaram.

domingo, 1 de março de 2009

Bingo!


Ontem, ao contrário de todas as previsões, fui ao Bingo.
Sim, ao Bingo.
Já não ia há anos, anos esses em que saía da Buraca para ir descobrir o mundo dos adultos.
Ou da ideia que tinha deles.
A primeira vez que entrei numa sala de jogo foi com o Nuno, que era o meu vizinho do quinto B e o Carlos, do prédio da frente.
Nessa altura fomos ao Bingo do Estrela da Amadora.
Só nós e a adrenalina de estar ali a brincar aos adultos, a 100 escudos o cartão.
Nunca me calhou nada, e nunca tive grande fascínio por salas de jogo.
Cheguei mesmo a gritar "linha!" depois de já só se estar a jogar para Bingo.
E as caras todas viradas para mim a dispararem setas na inocência da minha idade.
Anos depois soube bem voltar, porque não foi combinado.
O improviso aviva o peito.
E continua a ser um universo extraordinário.
Desde uma senhora que estava na nossa mesa e vinha de Vila Franca de Xira até Lisboa só para "torrar" dinheiro, até um senhor já com um grau simpático de álcool no sangue, que estava desempregado, e a jogar o pouco que tinha na carteira às escondidas dos gritos da mulher.
E a eterna voz colocada da senhora que canta os números que vão saíndo, com um misto de aborrecimento e frustração de nunca ter tido um programa de rádio.
É tudo isso, e muito mais.
E não, não ganhei absolutamente nada.
Mas há coisas que não foram feitas só para ganhar.

Ontem voltei a ter dezanove anos, e soube-me a pouco.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Nunca

Mas nunca, tentem explicar a um taxista por gestos que ele tem a porta mal fechada.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

De volta

Bem sei que estou em falta.
Já não escrevo há uns dias, mas as férias fora do país falaram mais alto.
Temperatura?
-2 graus centígrados.
Mas soube bem.
Muito bem.
Se pudesse passava metade do ano a trabalhar para viajar na outra metade.
Mas parece que as coisas não são bem assim.
E confesso que foi das vezes que melhor me soube voltar a Portugal, e ver o dia de espantoso que estava.
Falamos falamos, mas temos um país do caraças.
Essa é que é essa.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Nova exposição


Novamente a minha empregada.
Novamente arte.
Desta feita num lavatório de casa-de-banho.
Quanto a mim uma obra difícil de entender mas que contém uma força dramática extraordinária.
A força do shampoo contra a frieza da louça sanitária.
O desespero do desencontro com a banheira.
E acima de tudo as costas voltadas do Garnier Ultra Suave e do Pantene.
O que os terá separado?
E o que tenta ver o terceiro Pantene Pro V que espreita no meio dos dois?
A torneira?
Ou está a fraquejar de ter os outros em cima do peito?
A profundeza da dúvida.
A frieza das relações humanas, levada a cena por três shampoos, que no fundo podiam ser qualquer um de nós.
Essa é que é essa.
Ainda não aprecei.
Apenas porque sei que nenhum dinheiro do mundo paga arte deste calibre.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"Man On Wire"


Chegou-me há poucos dias via Amazon.
Andava ansioso por ver este documentário extraordinário que retrata a coisa mais simples e poética que se pode retratar.
Um homem a cumprir um sonho de vida.
Philippe Petit tinha um objectivo na vida que não é propriamente de fácil acesso:
Atravessar as torres gémeas através de um cabo de aço.
A pé.
Sem cabo nenhum de segurança.
Só ele, um cabo de aço que ia de uma vida a outra, e o desejo de passear no tecto do mundo.
E assim foi.
No dia sete de agosto de mil novecentos e setenta e quatro andou, ajoelhou-se, deitou-se e voltou a caminhar durante uma hora entre as torres gémeas, depois de ter planeado tudo ao pormenor juntamente com os amigos que acreditaram que o impossível era possível.
Foi depois preso e submetido a avaliações psicológicas.
E não tinha perdido nada.
Tinha ganho mais do que aquilo que se possa alguma vez imaginar.
Está nomeado para o Óscar de melhor documentário.
Mas já venceu o que tinha para vencer.
O sonho.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Somos tão pequeninos


Vasco Baptista Marques deu uma bola preta a "Slumdog Millionaire" no Expresso.
Nota miserável, portanto.
Diz ele que o filme "consolida a "pornografia da pobreza" que nos vende a miséria como um espectáculo de consumo rápido".
Luís Miguel Oliveira no "Público" diz sobre a visão do realizador da India: "Danny Boyle não conseguiu sentir mais do que o cheiro a merda.
Fino.

Só uma coisinha:
Senhor Vasco e senhor Luís, juntem-se numa cave a resmungar com o que vos impede de ter vida sexual e deixem-se de merdas.
Já percebemos que sabem escrever português e fazer comparações.
Mas a vossa "profissão" exige um bocadinho mais do que frases de português bonito.
Deixem o resto para quem quer e sabe fazer mais do que desenhar bolas pretas em papel e dizer palavrões da quarta classe.
Ou gostam ou não gostam, estão no vosso direito.
Mais do que isso já é masturbação intelectual.
E a arrogância e altivez com que vomitam críticas é que vos faz pequeninos, e na minha modesta opinião, feios.
(A parte do "feios" é só uma opinião parvinha, para não me afastar do estilo destes dois queridos)
Para se ser agressivo, tem de se saber escrever e opinar muito bem.
Não é claramente o caso.
Ser crítico de cinema, salvo raras excepções, só obedece a uma regra básica:
Dizer mal daquilo que está em alta.
Há qualquer coisa de intelectual em contradizer as massas.
O pior é quando se contradiz com disparates de algibeira.
Perdoem-me o tom, mas é claramente uma demonstração de pequeno poder.
E isso põe-me do avesso.
E sim, foi dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.
Mas nada que me deixe tão ansioso como ver um filme escrito e realizado a quatro mãos por Vasco Baptista Marques e Luís Miguel Oliveira.
Eu e quem deu a "Slumdog Millionaire" sete BAFTA´S e dez nomeações para os Óscares.
Para aprendermos todos um bocadinho mais sobre cinema.

Menos um para realizar


Pois bem, mudei a rotina.
Prometia-me há já uns anos, e falhava.
Até que os dedos pediram, e assim foi:
Estou a ter aulas de piano.
Tinha esse sonho, eis-me a fazer por ele.
Há qualquer coisa no som deste instrumento que vai directamente a sítios que não sabemos apontar.
Não é coisa simples, para os dedos e para o cérebro.
Estou ainda na fase de aprender a ler música, e enquanto experimento tocar uma ou outra coisa percebo que traduzir para o cérebro que as duas mãos devem fazer coisas diferentes é um dos primeiros e mais difíceis passos.
Mas assim é melhor, se fosse fácil cansava mais.
Já começo a perceber umas coisas, por força do professor extraordinário que me está a acompanhar.
Deve ser penoso para quem toca tão bem como ele ver duas mãos de cimento em cima das teclas dele.
Especialmente porque teve anos a aprender com a Maria João Pires.
Deve estar orgulhoso do salto que a carreira dele deu.
Orgulhosíssimo.
Estou contente comigo.
Terça feira às onze horas lá terei nova aula.
Até lá tenho trabalhos de casa para fazer.

Agora só falta um pianinho aqui em casa.
Porque praticar na mesa é estranho.
E não tem definitivamente o mesmo som.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O peito dela



Já estou atrasado para um compromisso, mas sinto-me obrigado a deixar isto bem claro:
A saga da Maya com a sua operação ao peito é das coisas mais nojentas que vi até hoje nas revistas.
É prostituição mediática.
E não vou fazer piadas, nem gozar com a situação, nem nada que o valha.
Uma pessoa que deixa que a fotografem numa operação ao peito (a troco de alguma coisa certamente, porque não estou a ver que seja a custo zero), que no carro à saída do hospital alarga a camisola para mostrar aos fotógrafos os adesivos colados ao peito, e que depois espera credibilidade em qualquer meio que seja, é uma pessoa extraordinária.
Dantes ainda tinha piada falar sobre estes assuntos.
Infelizmente hoje é tudo demasiado reles para sequer ser risível.
Toda a gente come, digere e no dia a seguir não se lembra.
E eu também deveria ser assim.
Mas fica-me a trabalhar no estômago mais do que eu queria.