quinta-feira, 23 de março de 2006

Boletim meteorológico

Suspiro a cinzento escuro, nestes dias. Tenho o céu todo a trovejar nos olhos.
É muito cinzento, mesmo para um amor daltónico. Cansa-nos a alma mal ela acorda.
Não lhe dá espaço para rasgar um ou dois vincos de riso.
Nada.
Arrasta-nos para o fundo do mundo.
Quando era (ainda) mais novo adorava estes dias. Estava intimamente ligado com o facto de não haver aula de educação fisica. E isso enchia-nos de coisas para fazer. Mesmo à custa de nunca as virmos a fazer.
Hoje em dia, mais precisamente hoje, desmancha-me. Vento, chuva e frio não alimenta muita esperança aos olhos.
Pelo menos aos meus.
Dá vontade de esconder o dia de toda a gente e esticar as pernas numa casa de janelas cimentadas.
Os dias cinzentos têm esse duro dom de descansarem uma lupa sobre o que quer que nos doa peito adentro.
A lupa é tão grande...
Que venha o sol, nem que seja por um quarto de hora, para nos lembrar que há vincos na alma.

segunda-feira, 20 de março de 2006

"O Pior Condutor De Sempre"

Começo, não tarda, a gravar um programa de televisão curioso. "O Pior Condutor De Sempre", assim se chama. Confesso que a principío fiquei de pé atrás, desconfiado na ideia de que se pretendia promover gratuitamente um mau condutor. A ideia não é essa, pelo menos de uma forma directa. Pretende-se "agarrar" em 13 maus condutores e submetê-los a uma melhora. Rir com eles, e não deles, entenda-se. Também eu não sou o melhor dos condutores. Nenhum português se assume um mau condutor, todos conduzem "benzinho" (leia-se: em contra-mão). Há sempre a probabilidade de num episódio levar uma ripada de um qualquer "bonzinho condutor" nas canelas e ficar com as pernas em U.
Quando começar a gravar deixo-vos mais detalhes.
Há fases da vida pessoal de quem vos escreve muito conturbadas e duras. Esta assinala-se uma delas.
Enfim...

sexta-feira, 17 de março de 2006

"Avalanche"


Bem sei, tenho estado ausente. Mas os motivos são bons, pelo menos para mim, confesso. Esta é a peça que me faz perder gramas e ganhar experiência nos dias que correm. Espero vê-los por lá.
Lá onde?
Villaret, de Terça a Sábado, pelas 21h30.
Apareçam.
E que nosso senhor vos acompanhe.
Ah, e aquele de cabelo muito arranjadinho...enfim...sou eu.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Ámen

Sou crente, e muito. Mas na realidade. É essa crença que me afasta do catolicismo, graças a deus.

domingo, 15 de janeiro de 2006

Portugal dos Pequeninos

Somos pequeninos, e gostamos disso. É assim que somos. Cada um de nós vive numa bolha Actimel que lhe sacode o "próximo" dos ombros. Pouco nos acorda se está alguém caído no chão, ou se estamos a 15 km/h, de charuto lambido na boca, a conduzir o nosso Jacuzzi numa faixa única de rodagem.
Nada.
Temos a boa educação a espreguiçar-se no bolso de trás das calças.
Temos medo de quem vive nesta betoneira de indiferença que é o povo português. Medo que o civismo e a simpatia nos cause febre alta e nos leve Vick ao peito.Medo dos outros "nós".
Bem sei que o tabaco mata, mas a falta de educação mói. Muito. Gabamo-nos das excepções. "Hoje um senhor foi muito simpático comigo, até me ajudou a levantar depois de me ter dado com a testa num poste". E estoiramos. Fazemos disso um fogo de artificio a ser mastigado num jantar pós-laboral.
Somos pequeninos, mas é por dentro. Nas nossas cabeças. Tornámo-nos bestas de cimento, bem cinzentas e frias, com suores que alguém nos fale na rua e nos obrigue a mostrar mais do que o cieiro. Somos demasiado importantes para quem carece de importância. Temos mais do que fazer. Não ganhamos nada com isso. Se fossem quadradinhos de queijo, ou um sumo novo de maçã e canela a ser oferecido numa mesinha ajeitada de um qualquer supermercado, aí tinhamos um ajuntamento digno de cordão policial. Acotovelavam-se caras para saciar uma sede que nunca tinha nascido. Gostamos muito de coisas dadas. Não porque gostemos ou nos faça falta, mas porque... são dadas. Se dessem frasquinhos da Vista Alegre com gotinhas de Hepatite C, estávamos lá batidos. Faz-nos crescer 5 cm e levantar o queixo do chão. O saber estar e respeitar, esse, já dói dois palmos acima dos rins. Já lateja quando muda o tempo. É melhor não mexer, que alguém há-de arranjar. Somos pequeninos, e julgamo-nos em tripés.E não me venham com merdas que é a crise. Conheço pessoas que vivem com 40 contos por mês (sim, na moeda antiga), e romperam a bolha Actimel. Todos temos os nossos problemas, doa a quem doer. Se repararem bem, ter civismo e boa educação, ainda não se paga. Há-de lá chegar, mas enquanto chega e não chega, aproveitem. Pode ser a melhor coisa que fazem por quem tropeçar nos vossos olhos.
Para compensar tudo isto, tomamos medidas, e tornamo-nos irreverentes conformistas. Dos que arrepanham um estalo num lado da face e passam Nivea na outra, para preparar o que aí vier. E revoltamo-nos... mas por acabar o Nivea.
Somos directos e fortes, mas nas mesas de café. Aí, mudamos o mundo. Elegemos presidentes, rasgamos as costas dos amigos, acendemos promessas de murros e contra-murros nas montras do "ai se fosse comigo...". Mas recolhida essa mesa, somos, uma vez mais, pequeninos. Engolimos tudo, fazemos a digestão e abraçamos o amigo das costas rasgadas. Mas fechamos os olhos, que a carne ainda está ali bem viva.
Somos inertes. Queremos que o mundo mude, mas pela mão do outro, "que hoje não me ficava em caminho".
Para a próxima passem Nivea e dêem a outra face, mas à vossa mão.
E já agora, vasculhem o bolso de trás das calças.
Acordem.

sábado, 7 de janeiro de 2006

...

Ontem vi-te, e esqueci-me de respirar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Praga, como sempre, como dantes


Que Praga é bonita, isso sempre se soube. Eu apenas descobri hoje, com os olhos, que foram quem primeiro a guardou. Frio, muito. Sente-se o corpo a resguardar-se dentro da barriga. Ainda assim, um quentinho no peito de se passear em ruas bonitas demais para olhos tão pequenos. Praga faz-nos querer rasgar os olhos para ver mais. Cheguei há uma mão cheia de horas, e por hoje deito-me no quarto de hotel, com uma vista linda, tanto para a rua, como para a cama que me abre os braços.
A propósito, ou nem por isso, um 2006 cheio de tudo o que mais pediram, que bem merecem. A verdade é que não sei se merecem, mas meti na cabeça que tinha de acabar de uma maneira bonita.
Porra... não merecem não. Esqueçam o que eu disse. E esqueçam 2006, é um número meio parvo que não faz grande sentido.
Ai a minha vida... vocês tiram-me do sério.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

"Porque deixaste de ir?"

Achei por bem, depois de assistir a várias lotarias de hipóteses, responder, de uma vez por todas (assim o espero), a esta pergunta.
A primeira vez que fui convidado para o "Levanta-te e Ri", ainda eu, e o programa, eramos anónimos. Convidaram-me no nono programa para actuar. Passada uma simpática primeira vez, continuei a ir, as vezes que me convidavam, para testar os meus textos de stand-up comedy, para bem ou para mal (que aparecer na televisão não é sinal de qualidade. Nem ontem, nem especialmente hoje.)
O minha mais comentada participação no programa, foi no aniversário da Sic, no Coliseu de Lisboa. Texto de que me orgulho muito, e actuação que em nada me envergonha. Nessa altura, o "Levanta-te e Ri" era um programa cuidado, que fazia questão de levar lá textos, também eles, cuidados. Entenda-se, sem qualquer modéstia, que tanto eu cresci com o programa, como ele comigo. Comigo e com o Aldo, Nilton, Ricardo Araújo Pereira, Fernando Rocha, (entre outros poucos) e sempre conduzido com o talento indíscutivel do Marco Horácio. Lembro-me das últimas vezes ter ido e ter pensado que não era aquilo.
O "Levanta-te e Ri" tinha mudado por completo. Por um simples motivo que defendo as vezes que for preciso: Portugal não têm humoristas suficientes para dar de comer a tantos programas. E como não têm, entra-se na deprimente engrenagem mal oleada do "vale-tudo", em busca de um novo Aldo, um novo Nilton, enfim, um novo humorista. Força-se o nascimento de humoristas, a sangue frio. Banaliza-se a comédia. Por isso mesmo, deixei de ir ao programa. E não o faço por vedetismo, faço-o por opção consciente. Não vou ao programa porque, hoje em dia, em nada me identifico com ele.
No outro dia via, num programa em que se falava do "Levanta-te", uma telespectadora a cuspir o seguinte: "Acho mal ele ter ido ao programa e depois nunca mais ter aparecido. Aproveitou para se lançar e depois esqueceu-se do programa". Minha senhora, eu não me esqueci. O problema é precisamente ter óptima memória e saber como ele era. Quanto ao facto de me ter aproveitado do programa para me lançar, digo-lhe o seguinte: Os textos, foram escritos por mim. Não devo nada a ninguém. Nada. Calculo que tenha um restaurante ao qual gosta de ir particularmente. Vai lá, certamente porque a carne é optima, ou o peixe fresquissímo. Se amanhã lá for, e o seu peixe tiver 3 semanas, ou o seu bife for uma fatia de nervos, dúvido que lá vá com a mesma alegria. E porquê? Porque é inteligente, ou assim o espero.
E agora ponho um ponto final, a seguir ao ponto final.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Sou Português

O meu bilhete de identidade, e o facto de ir agora fazer as compras de natal, não deixam dúvidas: sou, de facto, Português.
Passei ainda há pouco pelo Oeiras Parque e senti-me no Festival Sudoeste, tal era a multidão. É pavoroso. Mete medo. E mete ainda mais saber que sou um deles. Também eu só agora vou escolher o que podia ter escolhido ha 364 dias atrás. Filas e filas de trânsito, com promessas de "para o ano não volto a cair nesta". E o "para o ano",esse, nunca mais chega.
Vou então fazer as compras, que só hoje me convenci. Consegui sobreviver à tentação de deixar para dia 24, vou hoje, dia 23. Como os adultos. Também eu já sou crescido.
Agora saio, rumo às tantas outras pessoas que se arrastam, ou são arrastadas, pelas montras que mostram ansiedades.
E para o ano, não volto a cair nesta.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Copy Paste

"Gosto tudo de ti", escreveu António Lobo Antunes, e repito eu.

...

Ai o circo, o circo...

domingo, 11 de dezembro de 2005

"Antes Eles Que Nós", o fim?

Desde já, o meu pedido de desculpas pela falta de posts novos. A vontade é muita, o tempo, muito pouco. Ainda assim, queria dizer-vos que ontem terminámos a temporada da peça "Antes Eles Que Nós", no São Luiz. Correu muito bem, o público encarregou-se de fazer correr ainda melhor. Muito obrigado, respeito-vos do fundo do meu coração. Por isso mesmo,e num momento de pura embriaguez, o São Luiz convidou-nos a ficar também Janeiro.
E nós, tudo bem.
Assim sendo, quem ainda não teve oportunidade de ver, terá agora. Os bilhetes julgo já estarem disponíveis nas bilheteiras do próprio teatro. Despeço-me dos 6 graus que hoje me aquecem o corpo, e me fazem tilintar os pés.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Porque hoje me senti especialmente feliz...

Tropeço-me de cansaço. Muito mesmo. Ainda assim, vou abrindo os olhos para ter noção do que me rodeia.
Conheci Carlos do Carmo. Para muitos isto não passará de uma frase. Para mim, são várias e várias horas de ouvidos deliciados e coração a ritmo de contrabaixo. Ter a oportunidade de conhecer pessoas que admiramos e ainda receber elogios, deixou-me pequenino, ainda mais do que o normal.
Cantou a dois metros curtissímos de mim, e ainda assim, eu estava em casa, como hoje, como sempre, a ouvi-lo.
O fado pode ser transportado por várias vozes, disso, não há sequer dúvidas. Mas só poucas, o conseguem transportar pelo filamento que nos deslumbra um baque no centro do peito.
Guardarei o dia de hoje num livro de memórias talhado a orgulho.
"...essa voz que canta a palavra e nos vem dizendo a musica...", disse José Saramago, e digo eu.
Porque hoje me senti especialmente feliz, quis partilhar com vocês.
E agora oiço Carlos do Carmo, e sorrio.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Cozinhas

Aproveito os entretantos do tempo, para vos dizer que... quando encomendarem cozinhas no Ikea... não as tentem montar sozinhos. A sério, há lá gente especializada, que diz que até fizeram cursos na Suécia. É malta que faz daquilo a vida. Confiem neles.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Muito obrigado.

Num momento que antecede a minha bela cama, que tanto me olha, decidi passar pelo computador, para agradecer a todas as pessoas que têm passado pelo Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, e o têm esgotado. A todos vocês, um muito e muito obrigado.
Seria cliché dizer "sem vocês, nada disto seria possível".
Por isso mesmo, sem vocês, nada disto seria possível.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Não custa nada

Lembrem-se sempre de uma coisa. Sempre. É simples, nada de complicado. É até bastante simples. E é o seguinte... Acompanhem-me:
Está frio. Chove. Está portanto frio e chove. A vontade de sair é muito abaixo da média Europeia. Há até comida de sobra no frigorífico, dispensa, e outros sítios onde guardem comida. O Bruno (este que vos escreve), não tinha vontade de cozinhar. Estamos portanto num panorama de frio, chuva, comida a barrotes, mas falta de vontade de a tornar comestível.
Ideia: Encomendar comida japonesa.
Portanto: frio, chuva, comida a barrotes mas falta de vontade de a cozinhar, e comida japonesa ao domicílio. Fiz então a encomenda (e uma bela encomenda, diga-se entre parêntesis).
"Vai demorar 40 minutos", diz o senhor brasileiro. Brasileiro...Japonês.
Tudo faz sentido.
Deitei-me no sofá, e enquanto deixava a televisão ir contra os meus olhos, sonhava na melhor maneira de comer um belo Uramaki, Sashimi, entre outros.
Uma coisa meio doentia, mas que se usa muito no estrangeiro.
Passados 30 minutos, estavam os meus pés quentinhos, e a chuva a dizer "oh bruno, anda lá cá fora que eu digo-te" e...
enfim...Lembrem-se sempre de uma coisa. Sempre. É simples, nada de complicado. É até bastante simples. E é o seguinte... quando encomendarem comida para entregar ao domicílio, lembrem-se que têm de ter dinheiro em casa. A sério, lembrem-se.
Não custa nada.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Coçar Onde É Preciso


Acabei de sair da peça "Coçar Onde É Preciso", do José Pedro Gomes.
A coragem de estar cerca de uma hora e meia, sozinho, frente a frente com um público disposto a tudo, não é, nem nunca será coisa fácil. Estar cerca de uma hora e meia e fazer disso um belo espectáculo, ainda mais. Aconselho a todos os que tiverem disponibilidade e vontade de ver coisas boas, que cada vez são mais raras. Porque o que é bom deve ser falado, "Coçar Onde É Preciso", até 18-12-2005, Quarta a domingo às 21h30, na Casa do Artista.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Finalmente...

Finalmente, assaltaram-me o carro. A ideia já era antiga, concretizou-se sexta-feira, quando tudo acontece. Era comum deixar casacos e valores pessoais (alguns deles impessoais), no banco, mala, etc. Sempre achei que o meu carrinho deveria andar composto caso surgissem visitas inesperadas. Não queria que alguém entrasse janela dentro e encontrasse só uma garrafa semi-violada de óleo para o motor e um triângulo de sinalização. Acharia de muito mau gosto. Enfeitei então a bagageira com um Ipod Nano, carteira com respectivos documentos, casaquinho novo, e tudo o que um bom espectador automobilístico anseia. Deixei toda uma viatura decorada, limpinha, e fui à minha vida, que o Bairro Alto já deambulava rouco, de tanto me chamar.
Voltei 3 horas depois, pé ante pé, para o caminho ser mais calcado. Esquina dobrada e encontro o meu querido automóvel (que deus o guarde em descanso), com uma fractura exposta no vidro do passageiro. Sorri, gritei ao mundo a felicidade de alguém se ter lembrado de tal simpatia, e depois limpei, nervo a nervo, o puzzle de vidro temperado que jazia no banco. O meu bilhete de identidade, entre muitos outros documentos da mesma entidade, andam de portugal em portugal até sabe deus (e nem mesmo ele) quando.
Sexta feira, 4h da manhã, 11 graus, e eu, era o único valente a deslizar uma Marginal de janela aberta.
Parte direita do meu corpo paralisou.
Aguento-me então com um pulmão, e um braço esquerdo que se têm portado bem que é uma coisinha parva.
Hoje, o meu carro têm uma decoração mais minímalista, mas com muito, muito bom gosto.

domingo, 6 de novembro de 2005

Televisão, a cores.

Há semana e meia atrás, num qualquer estúdio de televisão, um produtor abraçou-me e cuspiu-me: "epá, Bruno! Ainda bem que te encontro. Ainda ontem estive na Sic e quando me disseram que tu ias assinar contrato eu disse logo: porra! esse gajo é insuportável, espero nunca ter de trabalhar com ele porque diz que tem um feitio insuportável! O puto é vedeta como tudo... (fim de citação) Mas olha, agora que te encontro aqui estou arrependido, és um gajo impecável! Desculpa lá!"
Tudo isto se passou com um abraço, um sorriso nos dentes, e uma faca bem afiada a ser arrancada discretamente das minhas costas.
Trabalhe-se em televisão e toda a gente nos conhece. Toda. Mesmo quem nunca nos conheceu. Todos segredam o nosso feitio, porque "ouvir dizer...". Todos afirmar com quem fomos para a cama, que somos drogados, que somos maus colegas, que dúvidas não há porque "estava na revista" Todos, menos os que nos conhecem. O senhor do café, do quiosque, do supermercado, taxista, todos, mas todos sabem e carregam a nossa vida, gota a gota. Chegamos às pessoas já com uma biografia bem traçada, e pouco há a fazer. Só depois se dão ao trabalho forçado de conhecer quem tão bem conheciam. Se somos tímidos e não sorrimos entramos no separador de "antipáticos", se sorrimos demais é porque estamos drogados, se partimos um copo num restaurante é porque "temos a mania", se não o partimos... também temos. Somos vistos com o dobro da intensidade, mas só para o mal, que para o bem a lupa não está lá. Porque só as histórias más aconchegam o estômago à noite. Anteontem no bairro alto, um sem-abrigo caíu e torceu o joelho. Ninguém o olhou por um segundo sequer. Sete olharam para mim, para ver se eu o ia ajudar ou não.
Para quem diz que aparecer no "quadradinho mágico" é só coisas boas, desenganem-se. As más, só se apresentam depois.
Hoje, deito-me de barriga para baixo, e deixo estancar mais um história nas minhas costas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

"Oh Bruno..."

"Oh Bruno, estás mais magro!"
Nunca uma frase tocou tanto no meu leitor de cd´s.